quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma eletiva da UERJ e o Espírito Santo

Tive uma eletiva na UERJ, do professor Flaviano, articulando história e cinema. Mas, a surpresa e a qualidade estavam em que Flaviano extraia crítica historiográfica até do Cobra, do Stallone, fugindo ao estereótipo de só analisar "filmes de arte' ou "autorais". Uma eletiva muito útil, sobretudo pela relação que me vem pelo que ocorre no Espírito Santo com um filme que vi recentemente, um "blockbuster' desses, se não me engano, 'Uma noite de crime". No filme, o governo estadunidense liberava uma noite inteira, chamada de "expurgo", a fim de aliviar a criminalidade, pra população fazer o que bem entendesse, matasse quem quisesse, gangues contra gangues, a barbárie, sem polícia, sem contenção. Excelente eletiva. 


UERJ na veia!


SRN


Acabei de deixar no portal da Alerj

Esta casa precisa estar à altura dos desafios, não sacrificando às circunstâncias a estrutura de desenvolvimento do nosso estado. Privatizar a Cedae, como parte desta espécie de "pec fluminense", sob a forma desse novo regime fiscal de longa duração, é entregar não apenas o patrimônio saudável construído pelo povo brasileiro, mas também esconder a negociata atrás do sofisma do acerto de contas do estado. E o que é pior: usando a situação de calamidade do servidor público. Basta a própria tradição liberal, a ela recorrer contra o que esta casa começará na próxima quinta. Basta lembrar de Locke que justificava - mais do que isso - recomendava a revolta civil contra um mau governo que não respeita o "contrato de consentimento" que o constituiu. As ruas têm de impedir o que esta casa cometerá a partir da próxima quinta. 

SRN
Antônio Máximo, de Vila Isabel, terra de Noel e Nássara e adotada por afeto por Martinho




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Cedae e os Beatles da mortadela


Encomenda entregue e, na volta, comprei a mortadela e me permiti matar a saudade da infância e comprei também um pacote de "seven boys", da Panco. O pacote da minha infância mudou pouca coisa, apenas atualizado no photoshop, mas os pãezinhos, fragmentados, pequenos, são uma metáfora do fetiche do regime da mercadoria: o artista proletário em busca de uns trocados, enquanto na próxima quinta a Cedae será vendida na Pec fluminense que espirra a água privatizada desse presidencialismo de coalizão. 

Vida que segue, como dizia o grande Saldanha...

SRN


“Dois Conceitos de Liberdade”, de Isaiah Berlin


Há tempos, li numa postagem do professor Alvaro Bianchi, da Unicamp, referência ao texto “Dois Conceitos de Liberdade”, de Isaiah Berlin. Fui ler. Nele, a crise do legado iluminista é logo exposta no parágrafo inicial. A razão e o progresso não estão mais dados, e o que se discute não são mais “problemas técnicos”, próprios à máquina ou a engenheiros, nem para o aperfeiçoamento da ordem burguesa nem para a felicidade emancipatória da revolução do proletariado. Entretanto, embora afins no idealismo da busca da “harmonia social perfeita’, na demonstração da crise que nos expõe, há, para Berlin, distinções no conteúdo da liberdade que separam liberais e socialistas. E aí, a excelência de Berlin, ao contrário da fuleira “carroça” pós-moderna do “fim das grandes narrativas” (como se, ao dizer isto, também não o fosse) já queimando óleo. Tanto tempo, e o texto de Berlin sobrevive, pois trata-se de uma reflexão sobre os sentidos que considera fundamentais reter acerca da liberdade, cerne da política: “a questão da obediência e da coerção”:

 “O que é a liberdade para aqueles que não podem dela fazer uso? Sem as condições adequadas para o uso da liberdade, qual é o valor da liberdade?” 

O cara, liberal, merece ser lido, nestes tempos em que o Armínio Fraga já estabeleceu que o contrato social não cabe mais na Constituição. Melhor que muito panfleto.

SRN


Madre Tereza de Sorocaba


É o tal negócio: um olho no padre, outro na missa. E se temos uma crise de hegemonia e a pauta conservadora domina o espaço público, dá pra concluir que a solução será na linha do "sobrinho do tio" ou a vida é criativa pra outras soluções? 

A Lava-Jato, por exemplo, ainda pra ficar no "18 Brumário" do Alemão, não seria o que há de melhor pra testar a capacidade das instituições liberais de evitar o farisaísmo de negarem a si mesmas? 

SRN