sábado, 3 de março de 2018

Imaturidade ou interesse?

Tomara que agora, em que também Meirelles perde o encanto e vira um humorista do programa do ratinho, diminua igualmente a interpretação do discurso do golpe. Fica claro que o Lula nunca levou isso a sério. É um pragmático, um negociador que opera com o realismo da política. Sua pretensão é continuar personagem importante no jogo político, bloqueando o acesso de novas forças que avancem, de fato, reformas progressistas e não as que temos hoje, fruto, aliás, da "governabilidade" que ensejou a sua "Carta à FIESP". 

Continuar o debate político pautado pelo que interessa àquele que elogia o "golpista" que o "golpeou" por ter sobrevivido é imaturidade ou interesse.

SRN


sexta-feira, 2 de março de 2018

O realismo de Lula à prova de militância

A entrevista do Lula é um convite à piada. Mas, também colabora, esclarece os termos do debate hoje polarizado antes mesmo de iniciado. Já no roteiro mental, o tópico frasal ou anuncia logo que houve golpe ou o texto é suspeito. Lula demonstrou todo o seu pragmatismo. Pra ele, o que é relevante no fato político é a eficácia. Temer foi eficaz, soube suportar a exposição pesada do seu fígado podre, arranjar um anestésico, até a cirurgia que segue sendo feita no hospital que é, como sempre, a minha Cidade. O realismo de Lula é o que o fez dar validade ao que Bobbio escreve em "Democracia representativa x democracia direta." A democracia é um método, incorporando o pluralismo. Cita um autor, Franco Alberoni : "democracia quer dizer dissenso. É um sistema político que pressupõe o dissenso. Requer o consenso apenas sobre um único ponto: sobre as regras da competição." 

É o tal negócio: se a democracia é apenas um método horizontal, como fica a verticalidade da nossa formação, na dinâmica política, com um passivo histórico de exploração, segregação e dependência? Como podemos institucionalizar o conflito de um passivo histórico num acordo de vontades, no presidencialismo da governabilidade afiançada por Jucá, Renan, Sarney, Temer e Moreira Franco, que o lulismo organizou, pra chegar ao poder, com a "Carta à FIESP"? Nessas circunstâncias, aceitas as regras do jogo com tais personagens em campo e no planalto, por que o "mensalão" não é golpe e o impeachment é, uma vez que ambos tratam da manipulação e da chicana admitidas? 


O subalterno, que sempre investiu no antagonismo e na pureza política, habilita-se a gerir o regime através de uma aliança com o PMDB... resultado: Bento Carneiro, a alegoria do Tuiuti, elogiada por Lula por saber se proteger do "golpe".

Mais do que isso, acho: Lula não quer ceder espaço, qualquer força política que ameace aglutinação não pode ficar tão à vontade assim. Esse elogio ao "golpista' que o "golpeou" não deixa de ser um aviso ao Boulos.

Sem chance.


Corifeu Sagrado e o Bento Carneiro

A crise na Petrobras é obra da CIA (então, o agente é ele, pois o esquema de financiamento do projeto de poder do lulismo tinha na sangria de um Patrimônio Nacional, Bem Público por excelência, a sua principal fonte).

Temer merece aplauso por enfrentar a Globo (é preciso crescer, amadurecer os argumentos. A Globo já não tem tanto poder como lhe atribuem. Além disso, o "Fora Temer" é uma palavra de ordem gestada na militância lulista. Com que moral berrar o "Fora Temer", se o Corifeu Sagrado abençoou a coragem do Bento Carneiro, alegoria do Tuiuti?).

"Eleição sem Lula é fraude!" (então, o Corifeu Sagrado está oferecendo hóstia batizada...).

Sem sacanagem, como eu sinto falta do Brizola...


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Nosso problema de cada dia sob intervenção e o chinês



Nosso problema de cada dia sob intervenção: Droga&Arma Associados é uma multinacional de escala planetária. Enfrentá-la é um problema da soberania, extrapolando a capacidade dos estados. Ocorre que a competência, conforme a Constituição, estabelece a segurança pública responsabilidade dos estados. Nosso estado será cobaia, como sempre, pro resto do país. Aqui será testado esse novo modelo. Por isso, a rapidez da alegoria do Tuiuti em criar o Ministério da Segurança Pública. Torço para que corra menos sangue possível durante a experiência.


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Superada a Guerra Fria, as nossas FFAA parece que agora terão um novo dilema perante o Imperialismo. Rex Tillerson, o secretário de Estado, que vai circular pela América Latina, anda dizendo que a Doutrina Monroe tem de ser afiada pra enfrentar a investida chinesa no continente. O sinal vermelho é a mudança na qualidade das relações: de comércio, passam agora os chineses aos investimentos comprando o próprio continente se nós botarmos preço. E aí?



FFAA resumem-se à polícia da minha Cidade?

A Defesa Nacional não mais se resume à autarquia. A porosidade atual exige abordagem. E a premissa defendida pelo editorial do Estadão, "Retrocesso institucional", na página ao lado em que publica o texto do almirante Flores, "A arquitetura da defesa no Brasil", está correta e justifica a crítica a Temer, agora, para o jornal, inútil por ter abandonado a reforma da Previdência. Um militar, por mais apto, não deve ocupar a pasta da Defesa. Superada a Guerra Fria, a ideia de defesa ampliada, nada melhor do que um civil para cuidar das demais dimensões que a integram: política, social, econômica. cultural, para além da questão militar, atribuição, de resto, dos respectivos comandantes das Forças.

Os militares resistem. Fica patente o constrangimento, em cenhos franzidos e monossilábicas entrevistas, nas aparições que precisam fazer à publicização dos atos públicos. O desconforto era pra ser vivido por um civil. A Política Nacional de Defesa é, como o próprio nome diz, política. Dinheiro e política, também. É o que baliza o texto do almirante, de cujo conteúdo retiro a ilação com o que pensa o Estadão. De acordo com o almirante, temos as FFAA capazes para os objetivos que o dinheiro der. E a grandeza não recomenda a mentalidade de contador. Agora a polícia, tão na moda para a farda que submete a minha Cidade:

"Vem se instilando no povo e na política a ideia de que o preparo do poder militar precisa enfatizar essa atribuição de feição policial."

O almirante acredita que estaríamos amesquinhando as FFAA para reduzi-las, limitá-las a polícias, e retirá-las do debate geopolítico da "presença nos problemas globais e regionais."
O que esperar, contudo, da alegoria do Tuiuti, fora do carnaval, assessorada pelo "gato angorá", dono da fórmula mágica, revelada como engodo eleitoral, do fim da violência em seis meses garantido em receita aviada?


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A ratazana e a logística militar do tráfico internacional

O GSI monitora a conjuntura. Etchgoyen deve dispor de relatórios, praticamente dossiês, sobre a questão do Rio. Informações que já tiveram tempo pra virar conhecimento. 

Temer é uma ratazana, sempre viveu nos bueiros que escoam a governabilidade garantida pelo PMDB. Sabe entupi-los, mas também como desobstruí-los. Certamente, recolheu do GSI material, a racionalidade mínima pra convencimento. Minha Cidade precisa renovar-lhe a provisão de sangue: diluiu a chantagem de sua base de apoio que lhe vendia a Previdência; consegue uma posição no discurso popular da porrada da demagogia bolsonara, deixa de ser o Figueiredo de 84 (só queimando tempo) e, quem sabe, condição produzida por tudo isso, tentar eleger-se.

Agora o que nos interessa:

Somos também um espaço com um grave componente militar na disputa por território entre diversos agentes, com o agravante da presença de servidores do Estado, milicianos, para o controle do tráfico e crimes conexos. Dimensioná-lo faz parte da cidade horizontal da cidadania plena nos termos do Estado democrático de direito. Então, a fim de que a coerção seja reduzida ao "conteúdo civilizatório" da segurança pública, indispensável que as favelas não sejam o lugar destinado à militarização da disputa. Seguinte:

O comando da intervenção contempla a possibilidade de avaliação responsável da discriminalização? Qual o impacto, pelo conhecimento que o comando da intervenção deve ter, da discriminalização no esvaziamento do interesse do grande capital internacional do tráfico&armas no uso de áreas pobres da periferia do capitalismo como logística?