domingo, 18 de janeiro de 2015

Cartunista Iconoclasta: Infantilismo, Má-fé ou Ignorância?

Não existe cartunista com conjunção adversativa. Disso tenho minhas dúvidas, além de inúmeros e nobres exemplos, a menos - é certo - no campo infantil ou da bravata. Ou, então, no da má-fé ou burrice, porque também dá no mesmo confundir o esforço de tentar entender o que ocorreu com a defesa de assassinos. Cartunista - suponho - também deve ler. E Atílio Boron, cientista social argentino, talvez seja um bom começo pra superar que fatos se encerram em si mesmos, como se não fossem um suporte de relações sociais e históricas, do mesmo modo que não se esgotam na vulgata pueril da "liberdade de expressão."
Também vejo muita charge sob o argumento da "fatura compensatória", embora entenda que o quer dizer é justo uma crítica ao farisaísmo interesseiro da defesa da vida. Seria uma maravilha um mundo onde a Vida fosse interdita a qualquer tipo de violência. Mas, não é, nunca foi, e a História está aí. Cansado da estupidez de confundir o esforço de tentar entender o que ocorreu com a defesa de assassinos - repito - como se o convite à reflexão fosse estar do lado dos que mataram Wolinski e os outros, fiz uma charge, um resumo rápido do problema. Se se trata de uma questão de princípio, de defesa intransigente do caráter iconoclasta do cartunista, pergunto: será que somos todos, artistas em geral, de fato, iconoclastas libertários? Será que somos tão infantis pra sustentar bravatas que separam discurso e prática? Então, por que onde publicamos não fazemos uma charge com a seguinte legenda: "todo patrão é filho da puta, inclusive o dono deste impresso."
SRN

sábado, 17 de janeiro de 2015

Rondinelli, na tentativa de um Gerchman

Sempre quis fazer um Gerchman. Sua obra sobre o futebol é uma maravilha. Na leviandade com que trato a tecnologia, chutando aqui, um pedaço de alfafa ali, descobri que levando à saturação sombra, realce, contraste, luz, o diabo, no photoshop, consigo alguma coisa que seja um arremedo de minha admiração pela obra que deixou o grande Rubro-Negro, carioca, Gerchman. 

Tentei um Rondinelli, autor do marco, em 78, que inaugura a Maior Arte já produzida no futebol brasileiro. 

SRN


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"A diferença entre o politicamente incorreto do Charlie Hebdo e o politicamente incorreto de Gentili e derivados"



"Charb verdadeiramente viveu — e morreu — pela liberdade de expressão. É justo tratá-lo como um mártir da liberdade de expressão, e reverenciá-lo enquanto existir alguma coisa parecida com jornalismo.

Os caricaturistas mortos não espezinharam minorias impotentes. O problema deles era com algo – o fundamentalismo islâmico – que os impedia de se expressar no mesmo tom que usaram tantas vezes para debochar de outras religiões.

Compare com a versão do humor “politicamente incorreto” de Danilo Gentili. Gentili é capaz de chamar uma mulata de “Zé Pequeno”, e de oferecer bananas a um internauta negro cansado de suas piadas racistas.

Ele provoca e estimula o que existe de pior no seu público, e não surpreende que seja seguido por pessoas como ele – preconceituosas, analfabetas políticas, estúpidas.

A coragem do humor “politicamente incorreto” de Gentili seria testada na França, desafiando coisas como o fundamentalismo islâmico, a exemplo do que fizeram Charb e companheiros.

Alguém consegue imaginá-lo neste papel?


Nem ele mesmo provavelmente, porque a essência de seu “humor” é a covardia. Chute quem não tem chance de devolver."

Paulo Nogueira
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-diferenca-entre-o-politicamente-incorreto-do-charlie-hebdo-e-o-politicamente-incorreto-de-gentili-e-derivados/