sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Valeu, Ministro

O Ministro da Defesa, Aldo Rebelo, em uma atitude digna de um Ministro de Estado, demitiu o general Mourão do Comando Militar do Sul. Isto é não ser uma republiqueta de banana, em que um general, sem nenhum respeito à hierarquia e à disciplina, princípios tão caros à organização militar e pretexto pra derrubada de um Presidente legítimo e popular como Jango, se acha no direito de dizer e fazer o que quiser só por ser general. O general simplesmente disse que a queda da Presidente, embora não alterasse a situação do país, pelo menos afastaria a “incompetência, má gestão e a corrupção”. Além disso, fez vista grossa para a homenagem de um subordinado a um notório torturador.

O Ministro mostrou que somos, de fato, uma República sem complemento.


SRN


PMDB adota Armínio Fraga

Ontem, o PMDB apresentou seu novo programa. Adotou Armínio Fraga. Isso significa que o PMDB não conseguiu impor-se, Dilma não se submeteu. O deslocamento na direção do PSDB abre, de fato, a via política do impeachment. É o PSDB oferecendo ao PMDB o cenário de coalizão da época de Itamar Franco, em que controlava a política econômica. Além disso, no programa “novo”, o PMDB ataca diretamente o governo.


Moreira Franco foi um dos mais entusiasmados pelas medidas de Armínio Fraga: fim da vinculação da previdência com o salário mínimo; fim da vinculação orçamentária constitucional para Educação e Saúde, predominância do “negociado’ sobre o “legislado’ na área trabalhista; “retorno ao regime concessão na área do petróleo, dando apenas preferência à Petrobrás”.

SRN


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ouvido de mercador

Enquanto Mujica pede, na Europa, na III Conferência patrocinada pelo CAF (o Banco Latino-Americano de Desenvolvimento), mais Poder Público global contra o controle mundial nas mãos das finanças e do comércio, nosso Maquiavel dos Clássicos Alheios copia a observação conjuntural de Polanyi:

“Nunca ninguém disse que a globalização, feita pelas empresas, é o fim do imperialismo, feito por governos.”


SRN


sábado, 24 de outubro de 2015

Ex-Ministro da Educação do Reino Unido comenta o Enem


Outro dia, comentando a conjuntura, o comentarista de Hobbes, no livro organizado há tempos por Weffort, " Clássicos da Política", se justificou como o excelente Ministro da Educação do Reino Unido que foi. Agora, de novo, em postagem sobre os atrasos dos estudantes do Enem, cita a diferença com a Inglaterra, sempre superior, a um ponto, até o ponto do horário da presença fazer parte da nota da própria prova. 


Eu me pergunto pra que servem certos acadêmicos. Será que os textos que escrevem são como a roupa que trocam? 

O cara escreve sobre História e esquece-se de que a História não pode ser sacrificada em favor do modelo e que o problema que analisa decorre justo da História que o produziu. 

Na verdade, não é mole a quantidade de acadêmico para quem a realidade é um estorvo as suas abstrações teóricas.

SRN


De volta pro futuro

Dois cariocas: um foi baleado no Noel Rosa, outro, assassinado, na Brasil, hoje pela manhã. A conjuntura exige proteção, pois é nela em que vivemos. Quanto dessas mortes que engrossam a estatística fria não teriam sido evitadas se, há 30 anos, na conjuntura da época, pensando no longo prazo, os Cieps não tivessem sido destruídos pelo “gato angorá” (hoje, ironicamente, presidente da Fundação Ulisses Guimarães)?

Calculem andar pelas ruas do Rio daqui a 30 anos, com o sucesso das recomendações da agência de risco, Armínio & Fernando, do orçamento zero e do Mercado Absoluto?

SRN?


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Câncer em Cruyff do cigarro que fumava na Grande Arte de 74

Ex-fumante, Cruyff foi diagnosticado com câncer no pulmão. Um monstro para um moleque de 11 anos que via sua primeira Copa pela televisão, em 74, com rudimentos para entender (a de 70 não conta, muito moleque ainda). Impressionante aquela movimentação deixando o time uruguaio, que contava com um craque como Pedro Rocha, completamente perplexo e absolutamente impedido, ao lado de quase meio time, na invenção do impedimento de Rinus Michel como uma tática de jogo.

Cruyff era daquela linhagem rara de craques que procuravam se divertir, sem se levar muito a sério e, por isso, crítico implacável de qualquer forma de enquadramento aos negociantes da bola para quem o jogador não passava de fonte de mais-valia.

Na copa de 74, retira uma das três linhas da adidas do uniforme da Holanda,pois não ia fazer propaganda de graça de nenhuma multinacional. Em 78, recusa-se a ir à Argentina a fim de não coonestar a ditadura de videla, massera etc. E, se o Barcelona tem o estilo que tem, deve-se a ele não apenas como jogador do clube, mas, depois, como técnico.

Cruyff e o seu time, que, em 74, contava com craques como Rep e Resenbrinck, levou a Holanda para a História como exemplo da verdadeira Revolução que houve, de fato, no futebol. Não havia nada antes e tudo mudou adiante.

A seleção de 82, sob a direção de arte de Telê, também era filha dessa movimentação, com um meio-campo em que despontavam Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico.

A Holanda de 74 e o Brasil de 82 são a negação da falácia de que a única coisa que importa é ser campeão. Não foram, e entraram para a história como exemplos de Grande Arte.


SRN


De volta pro futuro


Ramones do Regresso


São vários, mas, o pior efeito das bobagens pós-modernas é, sem dúvida, resumir tudo à conjuntura. Conforme Hobsbawm, vivemos num “presente contínuo”, sem passado, sem futuro. Aqui, então, passamos a ser regidos pelo acorde único dos ramones do regresso. O partido único da conjuntura cunha, aécio, lobão e bolsonaro. Evidente, vivemos na conjuntura que precisa ter respostas. Sem ela, a vida não anda. Mas, é preciso construir o longo prazo justamente para que as iniqüidades da conjuntura, se não acabem, ao menos sejam outras. A pós-modernidade, entretanto, não é neutra. Enquanto é um “atraso”, um “anacronismo”, um “regresso ao nacional-desenvolvimentismo” pensar nas implicações do mundo do trabalho desregulado, agências de risco, como a que temos sediada em São Paulo, a Armínio & Fernando, pensam, estrategicamente, com dois acordes, orçamento zero e revisão constitucional, o caminho do futuro do Paraíso do Mercado aos bem-aventurados do capital livre. 
SRN

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Armínio & Fernando

Fernando Henrique é um perigo. Joga bem. Ataca e defende, conforme a conveniência. Alivia a Presidente, porque sabe que ela e o PT estão suficientemente desmoralizados pra se constituírem em adversários. A estratégia é mudar a Constituição. Afinal, o contrato social não cabe na economia brasileira.
SRN



"FH fez a declaração durante uma palestra em São Paulo para executivos do setor de tecnologia.


-Quando o Executivo não tem apoio da sociedade também não tem do Congresso. No caso atual, nem quero personalizar muito, a estrutura do nosso sistema político é tão antiquada que ela precisa mudar. Se você não mudar essa estrutura não há líder que aguente. Tem que haver mudança da estrutura de comando no Brasil. Não estou falando de impeachment, nada disso. Porque também mudar a pessoa não resolve. Tem que mudar mais coisas do que a pessoa — afirmou o tucano nesta quinta-feira."

http://oglobo.globo.com/…/mudar-pessoa-nao-resolve-diz-fh-s…

"Diários da Presidência"


Serra não afunda?

José Serra já foi um dos sócios da Armínio & Fernando. Até há pouco, quando esta agência de risco internacional, sediada em São Paulo, reformula sua estratégia, acenando aos investidores as boas possibilidades de voltar a alugar o Brasil quando revista a Constituição, o que ocorrerá em breve, garante. Serra percebeu que, desse jeito, não chegaria à Presidência. Começa, então, a trocar de elemento, saindo da brisa dos ares de tucano e mergulhando nas águas profundas em que nadam os grandes tubarões. Tem um Projeto de lei no Senado. O PLS 131. Aliás, uma maravilha: não mexe no regime de partilha, deixa 100% do controle do pré-sal nas mãos do Poder Público, permite o aumento da receita de royalties para a Educação e Saúde, além de não alterar o potencial de receita do pré-sal. Nada que já não esteja na lei do pré-sal. 

Uma pergunta prosaica: então, pra que serve o PLS131?

SRN



terça-feira, 20 de outubro de 2015

Exposição na Câmara Municipal Carioca


Agora há pouco, na inauguração da exposição do Museu do Negro no saguão da Câmara Municipal Carioca, entregando ao vereador Brizola Neto uma charge que fiz do seu histórico avô, cuja presença hoje certamente faz muita falta.


SRN



Contrato Social


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

País a limpo


O que a tragédia que ocorreu em São Cristóvão hoje pode contribuir para voltar a pensar a cidade sem pensá-la para megaeventos?


O ex-Ministro Delfim Netto foi gentil e me respondeu o e-mail que lhe mandei

Prezado Prof. Rocha,

Grato por seu e-mail.

Quanto a sua primeira dúvida, não tenho a menor dúvida... Quanto à segunda, a coisa é mais complicada. Por definição, Desenvolvimento econômico per capita = aumento da produtividade do trabalho. Logo, aumento de trabalho sem crescimento do PIB = incorporação de mão de obra de baixa produtividade.

Um abraço cordial,
Antonio Delfim Netto

Minhas dúvidas foram as seguintes:

Uma dúvida: a inovação, que é o que justifica a base industrial, não encontra, em economias do capitalismo periférico, ainda maiores dificuldades num processo de reindustrialização após o predomínio da chamada "vaca holandesa" que acabamos de viver antes da desaceleração do negócio da China dos nossos primários?

Mais uma dúvida: o problema da produtividade, ainda em economias do capitalismo periférico com moedas valorizadas, pela incorporação ao consumo do que André Singer denomina de "subproletariado", está no pleno emprego do setor de serviços de baixa qualidade: construção civil, escritórios (auxiliar de departamento pessoal, contas a pagar etc), lojas, restaurantes, shopping, transportes, enfim. A dúvida: não é a força de trabalho que temos e que precisa ser incorporada à vida?





sábado, 17 de outubro de 2015

Naninha


Lava jato, História do Tempo Presente, intelectuais paulistas e Samuel Wainer

A Professora e Historiadora, da UFRJ, Marieta de Moraes vale ser lida acerca de uma modalidade historiográfica controversa, denominada de História do Tempo Presente. Na França, de resto, já tem um tempo, desde o final dos anos 70, e é de lá, justamente, o historiador referido pela professora Marieta de Moraes, François Bédarida. Para o francês, seriam as seguintes as principais características da HITP:

“Testemunhos vivos”, os quais podem corrigir o pesquisador, ao mesmo tempo também implicar o uso político da memória do passado atendendo a necessidades do presente;

Marco temporal, dando início ao período objeto da análise;

Transitoriedade, pela reelaboração constante dos mesmos materiais e recortes;

Valorização do fato.

Na esteira da crise do paradigma marxista na história, na HITP também ocorre uma valorização do sujeito, o que a faz ser confundida com a tradicional História Política, de grandes vultos, feitos militares e diplomacia. A este respeito, aliás, desde a primeira bibliografia da UERJ, na qual estava lá: “18 Brumário de Luiz Bonaparte”, que sempre achei que a frase do Alemão já dizia tudo:

“O homem faz a História, mas a partir das condições herdadas”.

Ou seja, indivíduo e estrutura nunca se separam. Mais ou menos como no excelente filme de Clint Eastwood sobre Charlie Parker, “Bird”. Certa altura, numa das internações psiquiátricas para tratar do que era outra coisa (era adicção), o psiquiatra pergunta pra mulher de Parker:

“A senhora quer um músico ou um marido?”

“Eles não se separam.”

Assim como  lava Jatos não se separam da História Política do Brasil contemporâneo. Na melhor autobiografia que já li, “Minha razão de Viver” – Wainer conta sua trajetória pessoal, a fundação da Última Hora, sua relação com Getúlio, com Jango, os bastidores do poder, sem máscara nem panegírico - , a presença de empreiteiras nunca foi novidade no financiamento de campanhas políticas. Evidente que não vou concluir esta postagem, que já aporrinha pelo tamanho, que, já que se trata do sujo falando do mal lavado, é melhor seguir o conselho de um dos elaboradores do plano real, André Lara Resende: “esquecer tudo”, de fato,  não seria o marco temporal mais adequado pra essa HITP. Nem essa competição de fundo de poço entre PT e PSDB pra saber quem é a mais pura freira de puteiro.

Afinal, será que só resta à viúva Cunha, Levy ou Armínio? Ou o que é mais ridículo, como no manifesto dos intelectuais em São Paulo, um estupro análogo ao do golpe de 64?

SRN




Jesus.com


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Exposição na Câmara Municipal, dia 20


Todos convidados, cariocas de todo o Brasil. Pra mim, é uma honra participar com meus desenhos da exposição do acervo do Museu do Negro na Câmara Municipal. Próxima terça, 20, às 18:30, na Câmara Municipal.


SRN




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

73 anos da Charanga Rubro-Negra

Saudades, adolescentes, à esquerda da tribuna de Honra. 
SRN
P.S. Hoje, um maracanã pasteurizado, de pipoca e shopping.

Primeira torcida organizada do Flamengo fez aniversário no domingo
FLAMENGO.COM.BR

Jabuticabeira só dá no quintal de Armínio & Fernando


Os últimos prêmios Nobel de Economia indicam a preocupação com a recidiva liberal, após 2008, vinda justo do mainstream. No ano passado, o francês Jean Tirole, com estudo sobre o poder de mercado das empresas monopolistas que precisam, em cada caso de sua respectiva cadeia produtiva, de atuação e controle do Poder Público. Agora o escocês Angus Deaton, por trabalhos sobre consumo, pobreza e bem-estar social. 
Só aqui a jabuticaba do “orçamento zero” e do mercado absoluto.
SRN

Delfim é contra o impeachment

Uma das mais brilhantes inteligências da República. Também do humor. Acompanhá-lo vale pra saber onde o galo canta. Um animal político com grande capacidade de sobrevivência. Defendeu Lula por transformar o PT em um força política palatável como qualquer outra. Já, em 2012, atacou o “ativismo estatal” do governo Dilma por matar o “espírito animal” do empresariado. Delfim só não é um cínico, primeiro, porque acredita, de fato, que, enquanto o trabalho for organizado pra produzir excedente, a ambição é o melhor estímulo à produção de riqueza; segundo, porque sabe das conseqüências de uma volta de Armínio Fraga, Fernando Henrique, Aécio, Gustavo Franco e o resto da fauna.


SRN


domingo, 11 de outubro de 2015

André Singer vale sempre ser lido


Trecho de "Cutucando as onças com vara curta", de André Singer, sobre algumas das consequências das manifestações de junho 2013:
"Em junho de 2013, o cerco rentista recebe inesperado reforço proveniente das ruas. O caráter contraditório das manifestações de junho, iniciadas pela esquerda e engrossadas pelo centro e pela direita de maneira inusitada, elevou a rejeição à presidente, obrigando-a ceder mais alguns metros de terreno.
Ao perscrutar as motivações ideológicas envolvidas nas manifestações de junho, ressaltamos a numerosa presença da visão centrista que colocava o Estado como inútil sorvedouro de recursos. A crítica ao número de ministérios, à ineficiência na saúde e na educação, à corrupção generalizada estava na cabeça de parcela significativa dos manifestantes, depois que a esquerda perdeu o comando dos protestos.
Segundo o Datafolha, 56% dos que foram à avenida Paulista em
20/6/2013 (na noite de maior afluxo) giravam em torno do centro,10% estavam à direita e 22% à esquerda. Embora o ativismo estatal na economia praticado por Dilma não estivesse diretamente em pauta, os segmentos envolvidos, futuros votantes de Marina Silva e Aécio Neves, acabaram por reforçar a onda em favor de reformas liberalizantes que iam na direção contrária. Dada a composição social mista dos protestos, a adesão de membros da nova classe trabalhadora — jovens em empregos precários e baixos salários, todavia com carteira assinada
— à agenda liberal era plausível."

Limbo digital

As ciências sociais no Brasil têm uma forte tradição ensaística. Também a História. Mas, a fonte pode corrigir ou invalidar a hipótese. Afinal, o historiador sempre testa o ensaísta. Por que não pesquisar material no TSE desde quando implantada a urna eletrônica.? Quem sabe a hipótese de Brizola, que desconfiava desse limbo digital, não possa produzir uma contribuição importante para a história recente das eleições diretas no Brasil?

SRN



sábado, 10 de outubro de 2015

20 anos da Lei de Concessões

São relações desse tipo, entre a alta burocracia pública e o capital privado, que definem ações com consequências diretas sobre as nossas vidas e que passam despercebidas, como se não tivéssemos capacidade pra entendê-las e discuti-las. Em português claro: para o investidor, o que interessa da regulação em infra-estrutura é a garantia da remuneração que só pode vir através da segurança dos contratos. Isso passa pela política, o que os leva ao lobby e a outros tipos de ações de bastidor que precisam vir a público. Não seria este o papel do Congresso, já que o da mídia é justo evitar que se descubra suas fontes de financiamento?

SRN
O Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (CERI) e a Escola de Direito do Rio de Janeiro (Direito Rio) promoveram, nos dias 5 e 6 de outubro, o seminário…
HTTP://BIT.LY/1MIJOIJ

Então, pra que a democracia burguesa?

Apesar de cada vez mais cético, é preciso, ao menos, fazer um registro, qualquer registro, ainda que seja pra duas ou três pessoas. Não tenho nenhuma ilusão de Rousseau: o povo não é um "bom selvagem". Somos todos bolsonaro, pedindo o justiçamento em praça pública e a vingança institucionalizada como um recurso do Estado. É, por isso, que tipos como bolsonaro devem ser criticados. Líder político não é pra reforçar entranhas totalitárias, apenas pra conseguir votos. Pra que serve a democracia representativa, burguesa, então, se não for para um representante eleito mediar - o que inclui a crítica - o sentimento totalitário com o bem estar público?


SRN


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Sampaoli não deve nada a Guardiola


É um prazer ver o Chile jogar. Desde muito antes da Copa América. Joga em 30 metros, da última linha à do ataque, sempre em linha alta, martelando, triangulando a bola com jogadores hábeis. Parece pelada, "gol dentro da área", dos meus tempos de moleque. Como joga o Vidal. Volante que lembra o Andrade. 

Seria uma maravilha se esse time de amarelo não fosse pra Rússia.

SRN


Somos todos bolsonaro ou, então, covardes



Voltando agora há pouco de Ipanema, dentro do 433, ali na avenida Maracanã, pouco antes da praça Varnhagen. O sinal fechado, uma gritaria, um corre-corre:

“Pega! Pega!”

Dois moleques saíam correndo com um celular roubado do camarada que berrava. Passaram bem embaixo da janela do ônibus onde eu estava. Foi a senha:

“Tinha que encher de tiros esses pivetes!”

“Bolsonaro é que ta certo, matar todas essas porras, não sobra nenhum pra contar história.”

“Vê se na ditadura tinha isso!”

Caí na asneira de abrir a boca:

“Desse jeito, vamos viver num Estado policial.”

Não sei como não apanhei.

É evidente que o instinto de sobrevivência prevalece. O estado de necessidade é condição de existência, tanto que é garantido por lei. Numa situação limite, se possível, procuramos nos defender, mas, daí a pregar a barbárie, a vingança institucional, como um recurso do Estado, é o fascismo. 

Lamentavelmente, mais uma vez, ao fim da ditadura, em 85, perdemos uma chance histórica de nos revermos e ao nosso passado autoritário.

Bolsonaro somos todos nós.

E aí, Che, a ternura foi pro ralo?


Ernesto "Che" Guevara foi assassinado há 48 anos nas matas da Bolívia por um comando que reunia militares bolivianos e o imperialismo. Já era um mito, antes de morrer: carregava um desejo que não se coagulava. Não se coagula. Mesmo quando vemos tanto reacionarismo de volta. 

Ou será que a ternura foi pro ralo?


SRN


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O PMDB cobra caro pelo programa, agora tem de justificar



Não é preciso ser assíduo na rua Ceará pra ver que o problema é político. O jurídico apenas um jontex que furou. Basta ver como há disponíveis, dependendo da posição. 

Para os tucanos, para o jurista Miguel Reale, ex-ministro da justiça de Fernando Henrique:

“O governo afirmou que fez superávit primário quando estava deficitário em R$ 40 bilhões. Ainda por cima fez decretos sem número em dezembro autorizando créditos suplementares para ministérios sem autorização do Legislativo. Isso é inédito na administração pública. É de uma irresponsabilidade enorme. Não é um mero problema contábil.”

Para Dalmo Dallari, mais à esquerda:

As ‘pedaladas’ são atos formais e administrativos da equipe econômica, feitos sem interferência da presidente. Questões formais não caracterizam ato de má-fé, não ensejam crime de responsabilidade. Além disso, as ‘pedaladas’ não ferem a lei orçamentária porque não desviaram recursos do orçamento para atividades não autorizadas e não há qualquer vantagem pessoal que Dilma tenha levado com as contas do governo. Esses dois elementos são pressupostos para impeachment e não estão presentes nesse caso. A tese do impeachment, com ou sem condenação das contas do governo pelo TCU, não tem apoio na Constituição.”

Quem sabe Bruna Surfistinha no Ministério da Justiça?

SRN


Guernica rediviva

Meu amigo Pablo Faria volta ao assunto:

"Só completando: existem imagens de cubanos que deixam a ilha rumo aos EUA em balsas improvisadas, todavia existem muitos refugiados que deixam os países da África e Oriente rumo à Europa aos milhares em barcos que invariavelmente transbordam. Essas imagens sem análises fazem pensar muito no que é capitalismo."

É a questão, Pablo, entre inovação e disputa pelo excedente. 

Em Cuba, a Revolução priorizou resolver questões básicas e de interesse público. Os recursos disponíveis (para não falar do histórico bloqueio estadunidense e do apoio soviético que acabou junto com a URSS) são usados na igualdade social. Evidente que quem quer consumir o paraíso capitalista não fica satisfeito e prefere ir pra Miami lavar pratos, ser moído, tratado como sub-raça, tudo em nome do celular que anda e do tablet que colore a violência e a pobreza do bairro miserável destinado aos "cucarachas" (Piketty, social-democrata, autor do célebre "O Capital no século XXI" diz que a inovação capitalista vem justo da injustiça. mas, também pergunta: é preciso chegar ao ponto da barbárie pra se obtê-la?). 

Quanto aos refugiados asiáticos e africanos, estes são a prova deslavada do que o capitalismo é capaz, sem disfarces. E quando vão em busca de disputar o excedente que lhes é roubado, são postos a pique no Mediterrâneo ou confinados em autênticos campos de concentração, de que são exemplos os tais "barracões para imigrantes". 

SRN


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Afoga?


Não tem cara de palhaço?


Ulisses 99


Vejo na Fundação Ulysses Guimarães Nacional que Ulisses faria 99 anos hoje. 

Para o senso de humor de Ulisses, a primeira piada é Moreira franco na presidência de uma instituição que leva nome dele, Ulisses. 

A segunda é o ataque coordenado à Constituição para à qual tanto se empenhara, tirante a um Estado do Bem-estar, sob a batuta de Fernando Henrique, a certa altura uma espécie de aspirante a Ulisses Guimarães. Esta é a última piada. 

Ainda bem que o corpo do Senhor Diretas não foi encontrado no acidente do helicóptero de outubro de 92, numa tempestade, a caminho de Angra dos Reis. Correria o risco do fariseu visitar-lhe o túmulo.


SRN


Os gatos de Aldemir Martins nunca andaram no muro do Itaú

Com pisar de gato em muro cheio de cacos de vidro, um dos economistas chefes do Itaú publicou ontem no Estadão. A fim de não se arranhar, o vidro grosso da Constituição precisa ser driblado com cuidado: uma reforma que viabilize a “retomada do crescimento”. Não basta cortar subsídios, diminuir benefícios nem aumentar impostos. Afinal, quem se dispõe a pagar a conta? Além disso, o que se consegue é muito pouco – vaticina o Economista-Chefe. A Constituição vinculada é o estorvo com a fantasia de investimento alto em Educação e Saúde para um país que só pode ter uma educação para o trabalho e dipirona pra dor de cabeça.


Só faltou ao final citar Fernando Henrique.

SRN


terça-feira, 6 de outubro de 2015

PICARETAS!



Não há partido mais venal do que esse PSDB. Sabendo que não conseguirão controlar os profissionais de anos de janela e pista do PMDB, querem agora impugnar a História, buscando no TSE (que, estranhamento aceitou o pedido) o cancelamento do registro da Chapa Dilma e Temer, legitimamente vitoriosos na última eleição.

O PSDB, Fernando Henrique, Aécio, Alkmin, Armínio Fraga, Gustavo Franco são o que há de pior, hoje, na política brasileira. Uma força obscurantista, mais do que reacionária.

SRN

Alho & Azeite

Cozinha profissional é outra coisa.

SRN


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O retorno de Ruy Mauro Marini



Enquanto o sociólogo Fernando Henrique considerava a dependência externa, longe de um problema, antes a própria condição necessária à integração da nossa economia ao progresso técnico (não foi outra coisa o que fez o presidente Fernando Henrique, privatizando, liberalizando e desregulamentando), Ruy Mauro Marini falava do que, talvez, seja, em breve,  a grande preocupação que teremos de enfrentar na atual fase de financeirização do capitalismo cortando direitos e precarizando o trabalho: a superexploração do trabalho, ou seja, a remuneração da força de trabalho, o salário, abaixo do valor de reposição do seu desgaste. Afinal, o estado atual da arte, conforme André Singer, em “cutucando a onça com vara curta”, gira em torno da sigla TTIP, traduzida como Parceria Transatlântica sobre o Comércio e o Investimento. Um tratado de livre comércio entre Europa e EUA, no Ocidente, contra China e Índia, no Oriente. Fernando Henrique, segundo Singer, escreveu no Globo de 5/12/14, “Mudar o rumo”:

“O Brasil precisa optar claramente pelos EUA e descartar a China.”

Uma das conseqüências seria a precarização, de vez, do trabalho, o qual, de resto, não pode atrapalhar a integração transatlântica das cadeias produtivas na dissipação da financeirização.

Daí Ruy Mauro Marini...


SRN