segunda-feira, 31 de maio de 2010

E o Verbo se fez Carne

Zico tem o dom da ubiquidade. Poderia permanecer como mito, mas preferiu, tal qual o Verbo, também se fazer carne e desceu à Gávea a fim de dar uma força.

O parceiro deste blog, Tadeu dos Santos, nosso fiel garantidor literário, já havia escrito alguma coisa a respeito. Só faltou citar o Zico, mas nosso colaborador é um camisa 10 das palavras não um adivinho:


Aviso Prévio

Por Tadeu dos Santos



Há alguns dias, li que um político americano ajuizara uma ação em face de Deus.

Dizia ele que na América a existência de Deus é um fato incontroverso. Constando,inclusive, na moeda que por lá circula frase que lhe rende encômios.

Como todos sabem Deus é sabedor da mínima folha que da árvore se despregue. Ele tudo sabe e tudo decide.

Não seria justo, pois, que sua conta só conhecesse créditos. Também o débito haveria de ser lançado.

Deixando de lado o holocausto, eis que prescrito; não há como deixar de imputar-Lhe o Katrina, O Iraque, As Torres Gêmeas, enfim...

Isso, é claro, apenas pra falar das grandes tragédias. Daquelas que comovem multidões.

Deixaremos as tragédias particulares aos acertos particulares.

Em decorrência da onisciência e onipresença (ubiquidade) dê-se Deus por citado e afaste-se, desde já, qualquer hipótese de revelia (Deus jamais será confesso).

Indenização onde couber e expiação pública sempre que possível.

Em litisconsórcio venham seus porta-vozes (padres, macumbeiros, pastores, enfim...).

O que parece tudo isso? Loucura, dirão todos.

Na minha, como sempre pouco sustentável, opinião, extraiu-se de um fato por todos tido como verdadeiro, todas as conseqüências lógicas possíveis.

Ou não?

Se é indiscutível que Deus existe. Se um Estado confere-lhe validade
(prova documental), há que se conferir à essa existência as
responsabilidades que ela comporta.

Ou não?

Finaliza o Autor pugnando pelo adentramento ao mérito. Que não lhe digam que é carecedor de ação.

Examinem o mérito, ainda que seja pra rejeitar in totum o pedido.

Digam-me: És mesmo um grande ignorante. Então não entendes que tanto mal apenas lhe faz bem. Não há perdão sem pecado e tampouco misericórdia sem sofrimento.

Vou achar que já li essa sentença em algum outro papel, talvez Santo Agostinho, já nem sei. Verei meus pedidos rejeitados e finalmente entenderei a velha máxima que tratava da nobreza da derrota.

Ou não?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Choque no Rato

Este é um blog sobre o Flamengo, para o Flamengo e, às vezes, a despeito do próprio Flamengo.

E nada mais Rubro-negro do que a população carioca.

É quando o que se viu hoje atingir o cerne da Nação.

O Rato lambendo geral embaixo do viaduto que dá acesso ao Noel Rosa, pra Vila Isabel. Como se fosse o Manto pegando fogo.

É possível conservar a boa fé, fazer força contra o cinismo, mas, não dá, depois de se já ter vivido e visto o suficiente, pra simular ingenuidade, quando, na verdade, é estupidez.

As casas queimadas neste incêndio me cheiram à pirolimpíada.

Li material do Forum Social Urbano, aqui realizado recentemente. Um geógrafo da UERJ, que presta assessoria às comunidades cariocas, falou a respeito dos megaeventos. Esclareceu-nos expondo que se trata de um esforço de assepsia urbana, voltado para a organização da "cidade-empresa", espaço urbano limpo e preparado para a venda das mercadorias das multinacionais associadas.

Justo porque a melhor produção de conhecimento, relativamente à questão urbana, vem dos movimentos populares organizados, particularmente do "Observatório de favelas".

O que li apresenta o problema com precisão e profundidade e permite estabelecer conexão com abordagens semelhantes a respeito de megaeventos (como a copa e as olimpíadas) ,com muita clareza também a necessidade de substituição de uma democracia representativa, meramente formal, numa democracia mais direta, com o Estado aberto à participação e deliberação dos movimentos sociais organizados.

O Rato queimado é o Manto.

SRN

Pátria Jabulani



Ouvi outro dia um desses engradados:

"Então, não vamos nos divertir na África?"

Ao que o outro, túrgido:

"Não, creio que não."

Um diálogo que sabe a um tipo de progressista, aquele no campo não de futebol, mas de uma pelada estética, capaz de tornar a vida menos monótona. Uma pelada jogada sem a jabulani e sem aceitar, ao final, convite pro churrasco na laje, muito menos piquenique na Quinta. Um futebol , um progressismo, seja lá o que for, que dispensa a aproximação e pode, por isso, ser praticado no ar condicionado.

Os jabulanis que preferem o resultado, na verdade, é que estão certos. Esse papo de saudosismo de uma 82 que não ganhou nada desconhece o investimento produtivo, o fluxo de renda indispensável à aquisição de fatores da bola, como a CBF, Teixeira, Havelanges, Dungas de Macedo, Rinaldis - a lista é grande. Aliás, só existe a lista. O que não existe - e estejam certo os que nunca os viram - foram Zico, Sócrates, Rivelino, Falcão, Leandro, Junior, Marinho Bruxa, Geraldo, Paulo Cesar Caju.

Compreendam.

Nos anos 70 só havia doidão e ao camarada pancado, lá na varandinha do Alto, nada restava senão a viagem deste tipo de visão, embalado a Led Zeppelin.

Tá tranquilo, jabulanis.

P.S. Antes de fechar este postagem, Tadeu dos Santos, o responsável pela qualidade literária deste blog, me manda um e-mail dizendo o seguinte:

"Leio no Globo.com que o goleiro Julio Cesar disse que a bola da copa é horrorosa. Se à ela (a bola) fosse dado dom da fala, ela diria que a recíproca é verdadeira. Penso que a bola, feminina como ela só, gosta de carícias e, sobretudo, de quem as saiba fazer. Vejo Josué, Julio Baptista, Elano, Gilberto Silva, Ramirez, Felippe mello e os demais, e antevejo um longo jejum. Pobre bola!"








Cornetas que aporrinham

Difícil falar da Patrícia. Mulher, prum camarada de quase meio século, não é um item de moda como virou hoje. Vale sempre a prioridade; talvez, por isso, qualquer crítica, exigindo cuidado, gaste menos palavras e só as necessárias. Pois é isso, Presidenta:
O Flamengo não cabe em certos limites. Somos, como sabe, 40 milhões governados pelo menor colégio eleitoral entre as nações. Toda presidência que nos é sempre imposta acompanha cornetas que estabelecem aporrinhações diferentes da simples corneta de torcedores (de que este blog é um bom exemplo) e com força pro comprometimento de costume dos próximos anos do Clube.
O que tenho a dizer é rápido: menos importante é o Rogério, embora útil pra atravessar o rio, enquanto o resto do gado é tangido conveniente para o abate em negócios com a marca Rubro-Negra. Dá pra ver a movimentação, os interesses que começam a se instalar nos poderes do Clube e nada melhor do que esse torneio da África pra não pagar a Light.
Adriano foi embora e o corneta insidioso faz o de sempre: inventa o Riquelme.
Fica difícil prosseguir, Presidenta. Mas, também não faz diferença: isso aqui é só mais um desses cornetas inúteis.

SRN

quarta-feira, 26 de maio de 2010

3x4

Pensei nesta postagem em como ficaria conveniente o gol de falta do Bruno. Entretanto, a intenção seria completamente diferente da imagem. Ficaria uma postagem esquizofrênica: a imagem cancelando a irregularidade do Bruno, que só se afirma justo no desnecessário. Quem precisa ser eficaz contra a bambidagem do Muricy?
Daqui dá pra ouvir o barulho de final ganha de copa do mundo que fizeram. Dois anos a seco e, nessa suspensão, ainda não conseguem ter grandeza, ganham o jogo, mas tomam um gol de falta de quem deveria saber melhor usar as mãos, ao invés da paçoca de sempre. Sempre nas horas decisivas.

O gol do Bruno é o 3x4 da vitória de Muricy.



O que tem a ver com as calças?

Tudo cabe na xepa do contemporâneo: instalações, performances, picaretagens, o diabo. Mas, francamente, o que o e-mail que recebi abaixo, exceto a referência ao Manto, tem a ver com o Flamengo?

"Um filme antigo. Entre o bar e o filme, a claustrofobia, a fotografia estourando do copo e o “travelling” passeando na cena. Na cela, o advogado e o cliente. O recurso do “travelling” usado adequadamente, nas quatro faces da cela, com o advogado visitando seu cliente `as portas do corredor da morte. A câmera exibe a perspectiva. O advogado se prepara, respira fundo, levanta a cabeça. O carcereiro abre a grade. A câmera entra junto com o advogado, que se dirige para o ângulo oposto, para a cama sem nenhum tipo de apoio, presa em balanço, abrigando o corpo estendido do cliente. Este parece morto, mas está catatônico. Sobre sua cabeça, pendente do teto, a camisa do Flamengo, o Manto Sagrado em reverência nada sacrílega. Excederam a solitária e passa quase o tempo todo, dia e noite, na mesma posição em que a câmera, após sair da cela, capta agora, no fluir do seu movimento. Primeira face, segunda face, terceira face. Entra e sai novamente. E é aqui que a solução fica interessante, na quarta face. Sem descontinuidade, a quarta face captada é exibida íntegra, sem que se perceba que houvera sido retirada e a um só tempo colocada, para, respectivamente, a entrada e a saída da câmera. O cliente catatônico que decide falar, o advogado que sabe que cada um deve ser fiel àquilo que lhe é próprio."

Sinistro

terça-feira, 25 de maio de 2010

Flamengo também é cinema


Cinema também é uma boa tática, a serviço do futebol bem jogado, uma espécie de grande arte tributária à seleção de 82, e o "Nação Maior" colabora, decerto, na divulgação do Cine Clube /UERJ, coordenado pelos estudantes Renato e Mexicano.

É sexta agora.

DIA: 28/05/10
LOCAL: UERJ - 9º ANDAR - BLOCO F - RAV 94
HORÁRIO: 18:00H


SINOPSE:

MACHUCA

Chile. Setembro de 1973. Às vésperas do golpe militar que derrubou o presidente eleito, Salvador Allende, duas crianças, Pedro Machuca, menino pobre que, como muitos, trabalhava para ajudar sua mãe, e Gonzalo Infante, menino de classe média, veem seus caminhos se cruzarem no Colégio Saint Patrick. O lugar está sendo palco de uma nova política dirigida pelo Padre McEnroe, onde ele pretende que crianças ricas e pobres tenham acesso a mesma educação, algo que estava em sintonia com os planos do presidente Salvador Allende e sua política socialista. Pelo olhar dessas duas crianças e pela oposição ferrenha feita ao Padre McEnroe pelos pais dos alunos que se recusam a ver seus filhos misturados com aquelas crianças que “não merecem reconhecimento”, vemos a situação de um país sul americano, que no auge da Guerra Fria enfrente uma das piores ditaduras da América Latina. Os boicotes e racionamentos de alimentos impostos pela oposição direitista, as manifestações, tudo pelos olhos de duas crianças que veem um país à beira de um colapso. Allende foi morto em 11 de setembro de 1973, o verdadeiro dia de trevas de um povo.

Mercadoria tem de circular


A seleção de 82 era o que havia de melhor, com jogadas e recursos que correspondiam aos critérios estéticos do futebol da época. Quem chegou agora e só conhece o modelo a partir do título de 94 não saberia apreciar 82. Ou talvez soubesse, haja vista a surpresa que causa o time de moleques do santos.
82, porém, é a aura eliminada pela época que passa, a despeito do videotape.
Então, Zico, Sócrates, Falcão não jogariam hoje?
Um falso problema. Falso, porque não pode ser verificado. As condições objetivas do futebol atual têm outras necessidades. Um "craque" hoje apresenta características distintas. Sócrates, por exemplo, seria outro hoje.
Não é apenas um futebol diferente: é uma maneira distinta de ver futebol.
Não faz muito tempo - nem sequer 20 anos - e a revolução provocada pela submissão ao mecanismo de preços de sentimentos, paixões e valores do futebol, se não cancelou a imagem do culto, modificou-a profundamente, adaptando-a à industria cultural em que se transformou a cultura da bola.
O "craque" não mais se afirma associado à imagem de um clube. Possui ele próprio unidade e duração. Serve de suporte, mercadorias de todo o tipo a ele aderem e a prova está em cada centímetro quadrado da roupa que veste.
Falam de Ronaldo, ainda bem longe do Flamengo. Mas não se trata de um atleta, tampouco um craque: Ronaldo é sócio do corínthias nos 45 milhões mensais que leva à conta daquele clube presidido com cara de pelego da força sindical. O resto é o resto, discussão menor, só cabível entre os engradados que cobram do Mano Menezes algo acima de sua atribuição.

"O fato de não ser mais do que negócio, basta-lhe como ideologia" - a frase é de Adorno, sempre muito útil, a respeito da indústria cultural.

Adriano, ao contrário, perdeu dinheiro. Mercadoria, entretanto, tem de voltar a circular.

Ao menos, nos deixou o Hexa.

Valeu, meu irmão.

SRN

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pouco mais ou menos 1 mês

A vitória de ontem sobre o clube de nenhum caráter foi irrelevante. O macunaíma paulista, sem identidade, reflete o limbo do próximo Flamengo: o que a Nação terá da pré-temporada que nos proporciona o torneio da África do Sul?
O futebol rubro-negro? Rogério fica? Adriano, Vagner Love? E quanto ao gol, já que não podemos dispensar o goleiro que joga adiantado, toma gol de cobertura, dissolve a mão de paçoca sob a chuva ou mesmo sem esta quando entrega a copa do Brasil e permanecer apenas com o outro que defende pênaltis salvadores?
Ao menos uma necessidade: Kleberson não deve voltar.

Pouco mais ou menos um mês e, de resto, é acompanhar o desempenho da República vizinha. Houve um tempo em que o futebol que praticava despertava alguma solidariedade. Hoje, apenas ao dintinguir Pet, representante de Nossa República, com a insígnia da Ordem de Rio Branco.
É que o time da CBF está à altura do que representa, na exumação de anacronismos ufanistas. Os "ideólogos" do Teixeira, Dunga de Macedo ( são dois num só), expõem a mercadoria de segunda com uma catilinária de aproveitamento do sentimento popular que revela a baixa qualidade do que é oferecido. Cínicos, ainda exigem cumplicidade. Como torcer para uma contrafação?

Saldanha, descanse em paz:

Vida que segue.

SRN

P.S. - Parece que já está certo: Adriano volta pra Itália.


sábado, 22 de maio de 2010

Vê aí, Adriano

Virada a página da libertadores, agora mero torneio de província, o Flamengo volta-se pro brasileiro e obriga-se a uma pergunta cuja resposta não se sabe: Adriano fica?
Vem agora aquele outro torneio, que, depois que passa, a África da Sul só terá sido usada, dando o tempo de que o Flamengo necessita para fazer o que importa, sem arquibancada, sem engradados da imprensa.
Conforme João Cabral, o Rio é o melhor lugar do mundo, desde que não seja preciso trabalhar. Neste aspecto, portanto, não há motivo para temer por Adriano. O problema é que a copa irá demonstrar como é confortável tirar o elefante da sala. 30 dias livres dos engradados e Adriano não terá nenhum problema com fornecedores, de material elétrico, especialmente. Não precisará fazer como 28, cujo pai, quando ele era moleque e jogava bola descalço, esquentava uma agulha e lhe furava as bolhas de sangue dos pés, deixando uma linha como uma espécie de dreno.
Adriano é indispensável, como mais uma vez ficou claro nos dois últimos jogos, jogando pólo aquático na Bahia ou sob a mira de bolas de sinuca no Chile.

SRN

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Incólume


As montanhas do Rio que Niemeyer tem nos olhos você, Adriano, as carregou no Chile pelos Rubro-Negros.

SRN

Chinampa


Os que foram obrigados ao castelhano eram nativos.
Aqui tudo era estrangeiro. A língua veio com o português que a impôs ao escravo negro, objeto pra ser gasto, também estrangeiro. Aos nativos, a terra de ninguém, arrasada.
Comeu-se o bispo Sardinha, mas a digestão só foi feita adiante, muito depois, por Charles Miller.
O football então virará futebol, porque ludopédio, convenhamos.
De objeto a sujeito, não propriamente; melhor adjunto, que aparece junto ao nome do artilheiro, do craque, "o negro no futebol brasileiro", só admitido assim entre aspas, no ambiente de chinampa. Era o que deveria ter feito Lima barreto, as chuteiras de pregos, os gomos de couro costurados à mão, em sucedâneo a estes preferiu o delírio, a heresia à palavra que só podia vir branca.
Chinampa era a agricultura intensiva praticada no Vale do México, antes da chegada da europeu lá trás, no varandão da saudade de nossa história de dependência. Rendia muito em pouco espaço.
Flamengo, eis a síntese do que escrevi.
Adriano, meu irmão, melhor abandonar as palavras engradadas ao inventário de corpos alinhados, disciplinados, abatidos em reverência à esclerose que teima em nos envelhecer.
E envelhecer é acumular cadáveres.
É, por isso, que desconheço "alma" Rubro-Negra. Só Rubro-Negra, matéria, força concreta da história que se impõe. No confronto, conhecemos sempre a síntese que todos sabem qual é. E não se diga a ladainha de quem vive na perversão da utopia, em sua vontade de não fazer nada, porque nunca vi amarelos, vices, bambis das Laranjeiras senão numa imensa chinampa lacustre de lágrimas de pobres-diabos.
Qualquer resultado no Chile, hoje, nunca será igual à ridicularia do resto, dos filhos da idiotia de quem pensou que poderia brincar seja onde fosse, tampouco no "brasileiro".

O Flamengo é um protagonista da História.

E isso a sobra só pode ler.

SRN

terça-feira, 18 de maio de 2010

Humor sob o risco da piada


Quase sempre encontro com 28 no ponto. Ele pega o 433, enquanto eu vou de 232, pra ficar na cidade, saltar na Candelária. Um dia desses me pediu meu e-mail, que queria me mandar umas críticas.


"Fomos criados juntos, jogamos bola na Senador, seguimos a vida, tua filha já tá quase com 20 anos fazendo faculdade junto com você, porra, meu irmão, vê se melhora..."


Deixei passar o 232, esperei que concluísse.


"Aquele teu blog tá muito retardado. Humor é uma coisa, palhaçada é outra. Futebol, meu irmão, não dispensa o humor, aliás, nada dispensa, mas se for pra fazer gracinha deixa na mão dos engradados como você costuma escrever. Te mando um e-mail, vou nessa."


Logo atrás do 433, do 28, veio o 232. Já de tarde recebia o seguinte e-mail:



"Às vezes o humor necessita explicação, sob o risco de se cancelar por piada. Não negue a história. Seu estudo é indispensável, pois, na tua idade, não cabe mais o sentido iluminista da vida. O prazer da leitura tem que ser útil, combinar-se, no estudo da história, particularmente dos mecanismos das relações materiais, com o fato econômico que, de resto, tem sempre a última palavra.

Mannheim debruçou-se sobre Marx, na hipótese de uma sociologia do conhecimento, em que vulgariza à exaustão a dialética infraestrutura e superestrutura. Mas, em poucas palavras de um ensaio, cuja função, de fato, é apontar hipóteses, não esgotar o assunto, o grande Walter Benjamin - a quem outro dia você citou no blog - não perde tempo com primarismo e faz a citação da superestrutura como um epifenômeno apenas em um parágrafo, logo no início de "A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de Reprodução". Repare neste ensaio de Benjamin, que tentava entender o cinema como um epifenômeno típicamente industrial, só possível na era dos grandes sistemas de produção em massa, um caminho que também poderia levar ao futebol, à importância de sua apropriação pela cultura brasileira, à participação de todos os elementos deformantes do sentido de se ser brasileiro na organização de uma economia na qual teriam de se arranjar, permitindo uma análise privilegiada do verdeiro fenômeno de massas em movimento material e dialético. Então, eu lhe pergunto: cabe deixar ao jornalismo, um expediente de vulgarização do senso comum, ainda pior nos engradados da imprensa esportiva, aspecto tão rico e decisivo das relações materiais brasileiras?
Não, meu irmão, o futebol é, de fato, objeto.

Quanto ao texto que me cobra, discordo. Ao invés de gracinha, palhaçada pra divertir classe média ao arrepio do "choque de ordem", você deveria abrir esse blog pro Nylon. Há nele um aspecto que te falta. Vem dele uma contribuição que a você é impossível. É muito mais fácil ao Nylon adquirir referenciais teóricos, fecundar uma visão que, infelizmente, pequeno burguês de Vila Isabel, você não tem. . Prefiro as deficiências de discurso do Nylon, na plasticidade daquele funk que a tua filha gosta.

Desculpe-me se o ofendi com minha falta de polidez característica.

Ninguém passa incólume à formação que recebeu. E o que esperar, de resto, de quem cujo pai botava querosene nas feridas de quando se machucava na rua?


SRN

28"


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Temporão adverte

Foto do Lancenet

Contra o ranço de costume ( parafraseando Chico Buarque, o único tricolor, ao lado de Nelson Rodrigues, que aparece em Nação Maior) use Galeano:

“Eu creio que o caso de Adriano é revelador, como bem disse, de preconceitos e julgamentos que vão além das anedotas.

O bombardeio que Adriano sofre revela, por exemplo:

A obsessão universal pela vida privada dos que têm exito, e acima de tudo pelos desportistas vencedores que vem da miséria e que tinham nascido estatisticamente condenados ao fracasso.

Exige-se deles que sejam freiras de convento, consagrados ao serviço dos demais e com rigorosa proibição do prazer e da liberdade.

Os puritanos que os vigiam e os condenam são, em geral, medíocres cujo desafio mais audacioso, sua mais perigosa proeza, consiste em cruzar a rua com luz vermelha, alguma vez na vida, e isso tem muito a ver com a inveja que provoca o êxito alheio.

Tem muito a ver com a demonização dos pobres que não renegam sua mais profunda identidade, por mais exitosos que sejam.

E muito tem a ver, também, com a humana necessidade de criar ídolos e o inconfessável desejo de que os ídolos se derrubem.

Um abraço do teu amigo,
Eduardo Galeano”

Copiado do blog de Lúcio de Castro

Vende a mãe, mas não entrega

Esse tipo de negócio sempre aparece no Flamengo. Em momentos decisivos, especialmente. Agora é o vice de marketing. Vice a que nos acostumamos fica ali perto da Quinta e quase nunca dá trabalho, mas até nisso o Flamengo inventa.
O tal Brandão, vice de marketing, troca o azul dourado daquele pano que não é o Manto pela melancia no pescoço que mira contra o Michael. Está no Lance:

"Será que o Michael também se confundiria se estivéssemos com a camisa branca?"

Ô Brandão, seguinte:

Não sei se já era nascido, mas nem precisava, pois há muito, bem antes da internet, existe um troço chamado livro, que serve para que não banquemos o Dunga de Macedo e fiquemos dispensados de recuar no tempo, pegar uns cipós pra Bahia, plantar na praia de Porto Seguro à espera de Cabral.
Fomos Campeões do Mundo em 81 com o Manto Branco, numa época em que o modo como ganha a vida nem sequer era necessário e o futebol ainda um ramo da cultura popular, não um "produto".
Por que não facilita as coisas e dá o exemplo de megalomania autista de que marqueteiros, publicitários e artigos conexos estão sempre imbuídos?
Os corinthianos acreditam em Juca Kfouri e Washington Olivetto, também em história do boitatá, vovô viu a uva e a Libertadores que havia no caminho, mas no meio do caminho já não havia mais Drummond, que já viera, escrevera, transformara-se em Drummond ali, em Copacabana, na Conselheiro Lafayete. Isso, pra dizer, como o folclore provinciano aumenta à custa da ilusão bandeirante.
Brandão, meu irmão, você não é o Câmara Cascudo: basta vender o pano azul dourado e ver se aquilo ao menos serve pra render algum.

Vai lá que tão te chamando.

SRN





domingo, 16 de maio de 2010

"Literatura e Futebol"


Quase ninguém merece panegírico. No Brasil, vivo, Oscar Niemeyer; morto, Barbosa Lima Sobrinho, e é certo: Prestes, pela pureza, pela capacidade de trocar as vantagens pessoais, tanto que trocou o Brasil, que lhe veio de bandeja, em 30, pela fidelidade às convicções pessoais. Isso não é pouco: quantos de nós não nos mantemos puros apenas por falta de oportunidade?

Mas, no espaço em que é possível para um homem do povo, o nível correto de urbanidade deve sempre ser sacrificado em favor do senso de humor – este sim, irresistível.

Ligo a televisão, pulo para os canais institucionais, Senado, Câmara, Alerj, na esperança de um conduto para a demanda social do “movimento dos sem mídia”.

Encontro um convênio entre a tv Alerj e a Academia Brasileira de letras. A ABL e a bola, ou “Literatura e Futebol”.

Nunca soube que Marcos Villaça, presidente da ABL, tivesse qualquer ligação com o futebol, a não ser pela chefia da delegação da CBF na Copa América da Venezuela.

A conexão lexical entre a espontaneidade popular e a disciplina acadêmica, levantada pelo presidente da Academia, teria sido um lugar mais conveniente, um espaço mais confortável a um titular da Casa que, para mim, tem tanto significado, captura a síntese nacional a um ponto, até o ponto de um dia a ela vir me candidatar com um argumento mais do que razoável: “depois de um operário na Presidência da República, um camelô-desenhista para a ABL”.

O frango, que o acadêmico Marcus Villaça esqueceu-se de citar, é certamente muito mais saboroso e revelaria muito de sua intimidade com o futebol do que a lista de expressões da bola que enumerou. Preferiria-o à entronização de João Havelange como um dos maiores brasileiros do século passado. Por quê? Apenas pelo poder de negociar com um ramo da cultura popular, que progressivamente vem perdendo sua função esportiva e cada vez transformando-se mais numa modalidade da indústria cultural?

E aqui desculpe-me a pretensão:

“Não passando de negócio, basta como ideologia.”

A frase tem pedigree, poderia estar presente à mesa, ao lado de Villaça, de Havelange, de Ricardo Teixeira. Foi dita por Adorno, da Escola de Frankfurt. Indústria cultural, segundo Adorno, significa a padronização dos bens culturais e implica economia de escala e mercado ampliado, internacionalizado, unívoco.

A conexão óbvia com o futebol impõe-se: como padronizar características tão distintas?

É certo que a habilidade do brasileiro teria de sucumbir ao pragmatismo do europeu. A consequência não é nem a mediocridade, porque, neste caso, a média, se exige o rebaixamento da habilidade brasileira, também exige, como contrapartida, a elevação do nível da habilidade do europeu - o que tem se provado difícil. O que houve, sobretudo pela contribuição de João Havelange, a partir de 74, foi um rebaixamento na qualidade do futebol produzido pela indústria mundial da bola.

Avanço sobre a hipótese de que a “Era Dunga”, expressão desse futebol como bem de indústria cultural em substituição progressiva de um ramo da cultura popular, representa um futebol de resultado, um futebol de mercado, que exige maior segurança e é mais favorável à manutenção do ranking, a fim de que se mantenha limpo o fluxo dos contratos que a CBF estabelece.

Critérios de mercado, aplicados ao que se chama hoje, pernosticamente, de “mundo corporativo”, têm sido usados por Dunga. Não é preciso nem recorrer ao futebol profissional. Basta que qualquer um se lembre de suas peladas de infância. As minhas, na Senador Soares,ou no futebol de salão no Maxwell, aqui em Vila Isabel (“Gigante”, Zé Ricardo, Flávio, Antônio Máximo e Joãozinho. Com exceção do primeiro, cujo apelido se deve ao fato de, aos 12, 13 anos já ser muito alto, o resto não passa de um bando de desconhecidos. “Gigante era o apelido do Zé Carlos, nosso vizinho, goleiro do Flamengo, tetracampeão em 87, reserva do Tafarel na copa de 90, e que, infelizmente, morreu de câncer, no ano passado, na Beneficência Portuguesa, ali na subida do Alto). Éramos mais ou menos uns 20. Quantos desses garotos eram, de fato, “uma verdadeira família”? O que nos reunia e socializava era o gosto comum pela bola.

Aquele time do Flamengo de 81, campeão de tudo, vivia tendo problemas com o Tita, que queria, porque queria, o lugar do Zico. Eu me lembro bem da expressão “jogar pra arquibancada”. Quando o Zico não jogava ( o que era raro), Tita aproveitava pra “arrebentar”, “jogar pra arquibancada” cheia do lado esquerdo da tribuna de honra.

Outro caso notório foi o toyota que o Nunes ganhou pelos gols na final em Tóquio e resolveu não cumprir o que o elenco havia combinado: receber o equivalente em dólares e ratear entre todos. Cismou de trazê-lo para o brasil. Pagou o diabo, numa época em que a importação era praticamente inviável.

O que eu quero dizer é que esse papo de “grupo fechado”, monolítico, só existe como uma adaptação ao futebol de critérios empresariais em que não se pode correr o menor risco, sob pena de prejuízos significativos. A indústria da bola é o futebol como negócio. À função esportiva, o prazer dos títulos, o gesto lúdico com a bola, inconsequente, até mesmo irresponsável (como era o caso do Uri Geller, ponta esquerda do Flamengo, no final dos anos 70 e que esquecia-se do jogo e discutia com o torcedor da geral), impõe-se uma estrutura de produção de jogadores, voltada para atender o mercado externo.

Na verdade, retomamos no futebol a condição de Brasil-Colônia.

Eis aí um bom tema, para o próximo seminário da ABL:


"Havelange e o futebol de exportação."


SRN

sábado, 15 de maio de 2010

Só Água Soteropolitana


Não haveria o que comentar, a menos que fizesse vista grossa e evitasse o que parece implicância, mas, não é. A mão do Bruno, feita de paçoca, debaixo d'água virou o quê?

Recuperou o dendê que a Raça Maior havia diluído aproveitando a água tão prolixa quanto discurso de baiano.

Mas, tá tranquilo.

A continuar assim, Adriano, meu irmão, fique certo:

Permanecer no Flamengo, demolir os chilenos, seguir adiante, ser Campeão pelo verdadeiro futebol libertador das Américas é muito mais importante do que jogar no time do Dunga de Macedo.

Bruno, olha com quem você está se metendo

Uma das vantagens da audiência qualificada, só possível na República Federativa Rubro-Negra, nos permite praticamente a ausência de trabalho. Adiante de um Rubro-Negro sempre há um outro que pensa melhor:

"Leio que o comando técnico do Flamengo decidiu manter o goleiro Bruno como capitão da equipe. É um líder, dizia a nota.

Tendo absorver a notícia e findo por pensar nas características necessárias ao desempenho do posto de capitão. Quais seriam afinal?

Liderança, indubitavelmente, é uma delas. Rogerio Ceni, goleiro do São Paulo é um nato detentor desse requisito. Representa a contento tanto o elenco, quanto, eventualmente, a própria diretoria. É bem articulado e, sobretudo, faz-se presente nos momentos de dificuldade.

Há de ser tranquilo, sereno mesmo. Em meio às brigas é o cara que tira os companheiros do bolo e distribui uma meia dúzia de berros chamando todos à razão. Tudo isso, claro, finda por torná-lo o depositário da confiança de todo o grupo. Um bom capitão, portanto, não é dado à formação de panelinhas.

Deve ter um tantinho de diplomata e assim conseguir um perfeito e equilibrado relacionamento com todos os segmentos do clube. Capitão é ponte, é elo.

O respeito é qualidade que norteia esse posto. Já houve quem falasse do zagueiro-zagueiro. Falemos então do capitão-capitão Pois, é o verdadeiro capitão-capitão não soca peito de companheiro e acima de tudo, sabe desde criancinha que a torcida (sobretudo a do Flamengo) é, sem qualquer exagero, o maior patrimônio do clube.

Lembro de Alex, capitão do América e vencedor do prêmio Belfort Duarte (dez anos sem uma expulsão sequer). Era zagueiro e jogou entre 1967 e 1979. Jorge Benjor já disse que zagueiro tem de ser malandro. Alex, louro e alemão, era o protótipo da malandragem de que falava o rubro-negro Jorge.

Se de um zagueiro espera-se um tanto de malandragem, o que devemos esperar de um goleiro-capitão? Decerto que não um Narciso a achar “feio tudo o que não é espelho”. Há por aí poucas coisas piores do que um goleiro apaixonado pela própria imagem.

No mais, há algo de preocupante numa equipe que faz de Bruno seu capitão e o que é mais grave, o considera líder.

Lembro de Alex, vejo Bruno e me confesso um tanto quanto envergonhado."

Por Tadeu dos Santos

Futebol de Mercado

O Rubro-Negro Tadeu dos Santos, que costuma ler este blog, escreve a respeito o seguinte:

"Por toda a parte ocorreu a depuração do futebol.
Veja o caso inglês. As bolas já não são mais alçadas à área durante chatos 90 minutos.
Dunga, por outro lado, é a europeização do Brasil. É a ordem e progresso positivista colocado na ordem do dia. É a negação da história que ao longo do tempo construímos. Não é a história a contrapelo de que nos falava Marilena Chauí no prefácio do Livro O SILÊNCIO DOS VENCIDOS. Ali o autor (Edgard De Decca) conferia luz e dava voz aos vencidos da história. Aqui, Dunga mergulha-nos no breu da caverna de Platão. Parafraseando Caetano eu diria que onde queres ordem, somos Garrinchas.
Millôr Fernandes diz que coerente é o cara que não consegue ter uma outra ideia.
Tive uma professora que dizia não haver qualquer problema na mudança de ideias; eis que apenas aos loucos era dado tê-las (as ideias) fixas.
Dunga, porém, não é louco. Ao menos não no seu sentido trangressor de que nos falava Foucault. Dunga, se louco, é insano ou é a expressão da loucura má, já enquadrada e internalizada, é a loucura-funcional, viabiliza o perfeito funcionamento do sistema, está a serviço da mesmice. Dunga prima pela ausência de molejo, é a cintura dura, é o brucutu.
Nosostros somos todos Garrinchas. Somos o riso posto na cara, somos o futebol-poesia, estamos a dois passos do futebol-deboche e a um do paraíso. Se a alguns míopes é dado pensar que perdemos em 82, é porque suas retinas deixaram de captar o essencial, a beleza.
No mais, coerência não tem o condão de atrair a si todo um panteão de coisas boas. Ela sequer é intrinsecamente inteligente. Dunga é o exemplo da coerência burra. É fato, podemos ser coerentemente tapados, podemos coerentemente dizer não à novidade, podemos coerentemente ser conservadores. E Dunga o é, com todas as letras e desacertos."

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Valdir Peres, Leo Moura, David, Angelim, etc


O Sep Mayer que o Bruno quer no espelho atrapalha o Valdir Peres que aparece toda vez que entra em campo.

Parece candidato paulista.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fala menos, Bruno, e vai de Miles Davis.


".. a barca se aninha na Baía, impele-se sobre o seu leito, que a embala. Vem a vontade de mergulhar, atirar-me àquela água podre, mas bonita. Tomo mais um gole, curtindo a paz quente, observando as correntes do passadiço a me obstarem o mergulho redentor. Estamos chegando na Praça XV, mas o que enxergo é o Mississipi, aquela excursão em 78, aproveitando que Pelé tentava o futebol naquela merda, fazendas de cultivo de algodão, lamentos nostálgicos de negras perfeitas, da beleza da mãe da minha filha. Um blues de John Lee Hooker , ou Round Midnight, de Miles davis, começa a tocar na minha cabeça e me sinto transportado na mesma barca, que parece buscar uma imagem que desconheço e recordar a semelhança das embarcações. É que dizem que a barca que me leva e que sempre me pareceu tão carioca tem inspiração nas antigas embarcações do Mississipi. Ou são as mesmas, sei lá. Ninguém não escute a impossibilidade sem ênfase...

... quanta merda despejada na PraçaXV. A começar do Império, quando a corte , limpando as latrinas do Paço, chafurdava na porcaria que nos daria o mercado de peixe e, hoje Mac’donald, contra a perspectiva livre da Baía..."

Itamarati Rubro-Negro

A Nação Maior é singular até em sua representação diplomática. Transcrevo o papo rápido, por e-mail, com o Erik:

"Antônio, moro nos EUA e sou jornalista. nasci em Minas, trabalhava em São Paulo, mas sou Flamengo desde pequeno, tenho 39 anos, sou da época do Zico, quando existia futebol. Hoje o futebol virou uma máfia. Abraços, FrankSent from my Verizon Wireless BlackBerry."

Valeu, meu irmão. Não sabe como me agrada saber que se deu ao trabalho de me enviar este e-mail. Um pedido: não gostaria de mandar um texto, com impressões de um Rubro-Negro que vê a Nação Maior aí de fora, para que eu pudesse publicar lá no blog?

"Vou enviar uma frase p/ vc colocar no seu blog, ok?

A torcida do Flamengo e o Zico sao iguais a Disneylandia, tem que ver para crer.

Frank Erik (New Jersey - E.U.A)"

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Um Passo da Fronteira

Perdemos feio, na comprovação da falta que nos faz o segredo do sucesso do Andrade no ano passado. O Hexa veio da estabilidade que o Aírton conferia a uma zaga temerária. É o que explica Rômulo, o Aírton de que o Rogério sabia necessário.

No jogo de agora há pouco, a exposição da defesa, entregue as suas próprias mazelas, ficou ainda pior com a péssima atuação de Rômulo que se complicava em lances simples. E não se diga que nenhuma culpa lhe cabe. Apenas a constatação da insuficiência de um garoto esforçado.

Insuportável, entretanto, ouvir o Bruno. Suas "análises" parecem vindas ali da praia vermelha, feitas no intervalo da troca de turno dos psiquiatras. O cara não se reconhece parte dos erros. O Sep Mayer que vê no espelho atrapalha o Valdir Peres toda vez que entra em campo.


Não há nenhuma surpresa não fosse a taxa de risco inflada pelo nosso problema maior e que já não nos pode cegar obscurecendo o cadáver que temos sido obrigado a carregar. Um meio de campo morto, só de espíritos, muito semelhantes aos que habitam a mesa branca digital do Lar do Prado. É certo que o Willians em seu esforço materialista tropeça tanto em chuteiras virtuais quanto nas que lhe são expostas pelo adversário, mas, ao menos, é quem consegue dar vida a um espaço do campo vital que hoje os chilenos usavam praticamente sem obstáculos ao contra-ataque.


E o Adriano?


Fez o que tinha de fazer. Embora muito superior ao Vagner Love, é o tal negócio daquela fronteira a um passo para se tornar um Monstro. Fez um gol, cabeceou outras vezes, praticamente o jogo todo na percepção de que o caminho era esse. Uma delas chegou a bater no travessão. Mas o passo decisivo não foi dado.


Conseguiremos lá no Chile?


SRN


A Nação Maior rejeita engradados

Daqui há pouco estamos em campo. E, ao Adriano, ao contrário do que ando lendo, ter ficado livre daqueles engradados do tempo foi o que melhor lhe poderia ocorrer. O futebol é o ramo da cultura popular objeto de quase folclore e permeável às grandes contradições nacionais. Para não irmos muito longe, "ame-o ou deixe-o", no ufanismo da ditadura sob a motivação do tricampeonato no México. Em escala bem menor, no plano do voluntarismo ridículo, a "amarelinha" do Zagallo. Quando tudo não passava de idiossincrasia do Velho Lobo, de resto, sincero e até ingênuo, vem agora o anacronismo interesseiro, mercadoria ordinária da superestrutura que nos ensina Walter Benjamin em "A Obra de Arte na Época de suas Técnicas de reprodução". Dunga e Jorginho de Macedo não viveram a escravidão nem precisavam. São a expressão acabada e tardia do capataz arranjado pra sujar as mãos.
À diferença de 70, em vez de Pelé, Tostão e Rivellino, Felipe Mello, Doni e Grafite.
Grafite, decerto, encontramos na papelaria.
E Adriano, na República federativa Rubro-Negra.

SRN

Marcel Duchamp


terça-feira, 11 de maio de 2010

Grafite tem é na papelaria

"Minha mãe era professora de história e me ensinou a ser patriota."

É o seguinte, meus camaradas: tenho de aprender rápido a linguagem dos surdos-mudos.

SRN

A Verdadeira Nova República

A vantagem de aposentar o burro sem rabo, entrar pra faculdade, arrumar um computador e falar do Flamengo é conseguir razoável solidariedade. A rede social que o Flamengo estimula é a prova de que o impossível de Nossa República nos é indispensável e quem já carregou compensado amarrado pela Frei Caneca desdenha do facilitário.

Natural de outra república, Tadeu dos Santos, no email que também reproduzi ontem, conta como veio para o Flamengo, aqui pediu cidadania, construiu sua identidade.

O texto que enviou para o "É muito penalty" surge mesmo dessa realidade e, porque muito bem escrito, concisamente bem fundamentado, serve como testemunho:


"A CBF bate o martelo para afirmar que o Flamengo não foi o primeiro clube a conquistar por 5 vezes o campeonato brasileiro. Assim sendo, a tal taça de bolinhas vai para o São Paulo.

Eduardo Couture um jurisconsulto uruguaio dizia que quando o Direito ignora a realidade, a realidade se vinga e também ignora o Direito. A decisão da CBF encaixa-se à perfeição na máxima jurídica a que vimos de nos referir. Ela, de fato, ignora a realidade. A nosostros, portanto, tudo o que resta é, de igual maneira, ignorar a CBF e sua estúpida decisão.

A Copa União de 1987 (origem de toda essa pseudo polêmica) teve seu regulamento alterado em meio à competição. A ilação que de imediato se impõe é que o costume pátrio de alterar as regras do jogo quando o mesmo já teve início é já um tanto quanto vetusta. O castigo que se pretende impor ao Flamengo é de meridiana clareza, ou seja, ainda que o jogo não seja lá muito limpo, adapte-se a ele.

O Sport alardeia-se campeão de 1987. Todos sabem que tudo o que o nobre clube Pernambuco conquistou foi o que à época era a 2ª divisão do campeonato brasileiro. Colher benefícios da torpeza e má-fé de um regulamento não é atitude igualmente indecente?

O São Paulo efusivamente comemora a primazia na conquista dos 5 títulos brasileiros, põe a mão na taça e já reserva um privilegiado lugar para a mesma em sua sala de troféus.

Todos passam com uma enorme desfaçatez ao largo da realidade.

Vivemos a nos queixar da diuturna conduta de nossos políticos e tão logo se nos aparece a oportunidade, agimos exatamente como aqueles que denunciamos e desprezamos. O que afinal diferencia os dirigentes e torcedores de São Paulo e Sport daqueles políticos envolvidos com os mais diversos tipos de mensalão. Parece-me que nada.

Gostar de futebol e até mesmo zoar com os torcedores dos outros clubes é algo inteiramente diverso dessa indecência que se pretende armar contra o Flamengo. Rivalidade é algo que se constrói com ética e correção e isso, claro, também vale para o futebol.

Ignorar a realidade, repito, é o mesmo que render homenagens à loucura. Hoje é o Flamengo, amanhã poderá ser o time do seu coração. Pense nisso."

SRN



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Meu Time de Botão

Ricardo Drago, do sítio "Meu Time de Botão", www.meutimedebotao.blogspot.com, andou lendo Nação Maior e resolveu correr o risco, me fazendo algumas perguntas, cujas respostas foram lá publicadas e, aqui, vida que segue.



MEU TIME DE BOTÃO - ANTÔNIO MÁXIMO DE MEDEIROS DA ROCHA






















Boa Tarde! Amigos Craques de Botão!
Nosso entrevistado de hoje é Antônio Máximo de Medeiros da Rocha, desenhista, estudante de História e eidtor do ótimo http://www.nacaomaior.blogspot.com/. Torcedor do Clube de Regatas do Flamengo

meu time de botão
que time você torce? e como começou essa paixão?

Antônio
Flamengo. Sou a prova de que já se nasce Rubro-Negro. Filho de imigrante português, que não ligava pra futebol, mas que passou a frequentar o Maracanã, me levando nos ombros, quando eu era moleque.

meu time de botão
quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?

Antônio
Zico.


meu time de botão
e nos conte qual o jogo que não sai da sua memória?

Antônio
Inesquecível o primeiro título Brasileiro, em 80. Assisti ao jogo espremido entre os lances da arquibancada, perto da Charanga, quase na grade que separa a tribuna do nosso lado esquerdo, o lado absoluto do Flamengo no Maracanã. Hoje não seria mais desse jeito. O Maracanã mudou, inclusive na capacidade de público, bem mais restrita.


meu time de botão
e uma derrota impossível de esquecer?

Antônio
Os 3x0 contra o América do México, pela Libertadores, há dois anos, naquele oba-oba da despedida do Joel.


meu time de botão
qual a melhor equipe que você viu jogar?

Antônio
Drummond certamente assinaria embaixo, seguinte:
Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e ZICO; Tita, Nunes e Lico.

meu time de botão
agora escale pra nós o seu time de botão, a sua seleção imbatível de todos os tempos!

Antônio
Tenho 47 anos. Meu time de botão era anterior ao time que escalei acima, o melhor time do século passado, sem dúvida. Aí, pelos meus 11, 12 anos, jogavam no meu timo Rodrigues Neto, Liminha, Reyes, e – é claro – Zico, Júnior, Geraldo, assobiador.

meu time de botão
se você fosse o presidente do Flamengo, que jogador, você contrataria pra resolver os problemas do time?

Antônio
O problema do Flamengo é o meio-campo, na falta de criatividade que, por depender do Pet, um monstro, mas, já instável, necessitaria de, por exemplo, um Ganso, do santos.

meu time de botão
pra você, contra quem é hoje a maior rivalidade do Flamengo, e porque?

Antônio
Quando eu era moleque, tinha uma secura no Botafogo, por causa dos tais 6x0 do início dos anos 70. Ia no Maracanã e via aquela faixa, “6x0”, já amarela. Depois dos 6x0 que devolvemos e logo depois 6x1, hoje o amarelo da faixa velha que foi pro lixo passou pro time, amarelo, complexado, time de bairro.

Tivemos durante muito tempo, sobretudo na década de 80, o Vasco, vice por vocação, que hoje só ganha segunda divisão. Por falar nisso, eles deveriam se orgulhar, pois têm um título que nós nunca teremos...

Francamente, não vejo ninguém.

meu time de botão
o que você anda lendo sobre futebol, quais livros?

Antônio
O último livro que li foi uma rápida biografia do Saldanha, escrita pelo João Máximo. Na UERJ, onde, depois de velho, resolvi fazer História, existe uma disciplina chamada sociologia do futebol. A bibliografia deve ser interessante.

meu time de botão
e qual ou quais livros contam bem a história do seu time?

Antônio
Rui Castro escreveu alguma coisa, outros também. O Flamengo já apareceu na literatura através do grande Rubro-Negro José Lins do Rego. Mas, sinto falta de livros com mais substância, refiro-me a ensaios e análises baseadas em referenciais téoricos que expliquem, por exemplo, a razão de um time de massas como o Flamengo, a partir de um determinado momento, a partir daquele time que começa em 78, com a cabeçada do Rondinelli e vai até 87, com um breve intervalo devido à passagem do Zico pela Udinese, na Itália, integrar, além da garra, da raça que nos caracteriza, a arte, a habilidade da alma popular.

meu time de botão
gostaria que você comentasse um pouco sobre o seu blog - http://www.nacaomaior.blogspot.com/

Antônio
Meu blog é neófito. Não tem um mês. E vai durar enquanto me der prazer.

meu time de botão
conte sobre as suas as ilustrações para o blog

Antônio
Sou desenhista, por profissão. Fui também desenhista de arquitetura e arte-finalista de Bloch-Educação, da extinta Manchete.

Esta, aliás, uma das razões do blog. Não tenho editor para as charges, paras as ilustrações. Desnho o que quero.

meu time de botão
você ainda tem seus botões de infância, ainda joga, tem boas lembranças, conte pra nós, jogava muito?

Antônio
Muito, como me referi acima. Botões de galalite, caixa de fósforo com chumbo dentro fazendo o goleiro, dadinho como bola. Também guardava meus botões misturados em talco, a fim de evitar gordura e não travar na mesa. Ao lado de jogar pelada descalço na rua, era a minha diversão preferida.

Infelizmente, não tenho mais meu time.

DE PRIMEIRA
quem é o melhor time, hoje? no Brasil? e no mundo

Como Rubro-Negro fanático, o Flamengo. Mas, justo por ser Rubro-Negro, não sou burro a ponto de não ver que os moleques do Santos são o seguinte. Sem dúvida, o Ganso é um meio-campo na linha do Falcão, Sócrates, um tipo de jogador que eu pensei que não fosse mais ver.

e no mundo? Barcelona.

quem é o melhor jogador do mundo na atualidade? Messi

quem ganha a Copa do Mundo?
A vitória desse time do Dunga fará tão mal ao futebol quanto a derrota do maior Seleção de todos os tempos, a de 82. Aquela catástrofe, permitiu a chorumela da “era Dunga”, daquela mediocridade, que não reconheço como futebol brasileiro (consciente da estupidez, do ponto-de-vista da história, do que estou dizendo), Campeã em 94

quem ganha a Copa do Brasil? Gostaria que fosse o Vitória.

quem ganha a Libertadores? Flamengo

entrevista realizada por e-mail no dia 3 de maio de 2010

Quem cai primeiro?

Atravessava a Teodoro da Silva, quando o 28, no ponto, me mandou essa:

Quem cai primeiro esse ano, meu irmão: os gambás de São Jorge, a bambidagem do morumbi, os "1 chops e 2 pastel" do bexiga ou a sardinha da praia de paulista?

SRN

domingo, 9 de maio de 2010

...e andando.



Foto publicada no Lancenet

SRN

A dialética paulista

Grande iniciativa do Museu do Futebol em São Paulo - o que pode nos levar a duvidar do tricolor Nelson Rodrigues, para quem a "pior forma de solidão é a companhia de um paulista".

SRN



I Simpósio de estudos sobre futebol

INSCRIÇÕES PARA OUVINTES ENCERRADAS

Futebol, sociedade e cultura: pesquisas e perspectivas

Fruto da parceria entre o Museu do Futebol, o Departamento de História da USP e do Departamento de Antropologia da PUC-SP, este Simpósio será o primeiro encontro nacional acerca da produção acadêmica brasileira mais expressiva sobre o futebol. Contará com uma inédita reunião de pesquisadores já renomados, além de apresentações de pesquisas concluídas ou em andamento em todo o Brasil, fornecendo, assim, condições para um balanço das tendências, dos problemas metodológicos e das perspectivas para o estudo do futebol no âmbito das Ciências Humanas.

O Simpósio está dividido em conferências, mesas-redondas, comunicações individuais e sessões coordenadas. O público-alvo são docentes, pesquisadores e estudantes de diferentes áreas do conhecimento, mas que tenham em comum o foco de pesquisa no futebol, sua dinâmica e cultura, a partir do referencial das Ciências Humanas.

Todos os participantes deverão entregar um paper que será publicado no site do Museu do Futebol. O conteúdo das mesas-redondas, conferências e demais apresentações será divulgado até março de 2010.

Pesquisadores que já confirmaram a participação nas conferências e mesas-redondas

Anselmo Alfredo (USP)
Antonio Jorge Soares (UFRJ)
Arlei Damo (UFRS)
Fátima Antunes (DPH-SP)
Flávio de Campos (USP)
Hilário Franco Júnior (USP)
José Carlos Marques (UNESP - Bauru)
José Geraldo Vinci de Moraes (USP)
José Miguel Wisnik (USP)
José Paulo Florenzano (PUC-SP)
Kabengele Munanga (USP)
Leonardo Pereira (PUC-RJ)
Luiz Henrique de Toledo (UFSCar)
Maete Hamadu (Centro de Estudos Africanos)
Marcellino Rodrigues da Silva (UFMG)
Mauricio Murad (UERJ)
Nuno Ramos (INEGI)
Roberto DaMatta (PUC/RJ)
Simoni Guedes (UFF)
Thales Ab’Saber (Sedes Sapientae)
Victor Andrade de Mello (UFRJ).

Realização: Departamento de História – FFLCH/USP, Departamento de Antropologia – PUC-SP, Museu do Futebol
Coordenação Geral: Prof. Dr. Flávio de Campos
Comissão Organizadora: Prof. Dr. Flávio de Campos – USP, Prof. Dr. José Geraldo Vinci de Morares – USP, Prof. Dr. José Paulo Florenzano – PUC-SP, Clara Azevedo, Daniela do Amaral Alfonsi e Renato Baldin - Museu do Futebol.
Comissão Científica: Prof. Dr. José Paulo Florenzano – PUC-SP, Prof. Dr. Luiz Henrique de Toledo - UFSCar, Prof. Ms. Sérgio Settani Giglio - Uninove, Clara Azevedo e Daniela do Amaral Alfonsi – Museu do Futebol.

Serviço

Quando: de 10 a 14 de maio de 2010
Onde: Museu do Futebol, Departamento de História - FFLCH/USP e Departamento de Antropologia - PUC/SP
Inscrições: de 01/10/2009 a 30/11/2009
- encerradas.
Divulgação dos resultados: 30/03/2010 - CONSULTE PROGRAMAÇÃO ANEXA NESTA PÁGINA.
INSCRIÇÕES GRATUITAS PARA OUVINTES - ENCERRADAS

Urublog: "Todo Dia é Dia das Mães"

"Principalmente das mães que fecham com o certo e deram à luz a Maior Torcida do Mundo. Elas são demais e mesmo quando não são rubro-negras não erram nunca. Beijo enorme pra todas elas."


O cara vai na veia.

Não é arpão no cano, é, sem sacanagem, o melhor de todos nós, blogueiros, na sagacidade do que é ser Rubro-Negro.

Como sou um cavalo em "tecnologia da informação" e porque não sei fazer o "link", reproduzo como posso a postagem do Arthur do Urublog.

Dizer mais o quê?

SRN


sábado, 8 de maio de 2010

Anti-Liechtenstein


Escuto que a Patrícia acertou tudo com Rogério, que passará a ser o técnico.

Cada vez mais me convenço das peculiaridades da nossa República.

Tal como o Brasil, cujo tamanho exige um mercado interno forte, somos 40 milhões em cujo seio esteve, está e estará sempre as nossas próprias soluções.

Não podemos nos arriscar ao subdesenvolvimento, de que já vimos do quanto nos custou há dois anos, com entregadores de camisa gente boa ou, quase recente, "chicago boys" de morumbis pós-graduados em bambidagem.

Somos uma força social que não contempla nem a fuleiragem tampouco o deslumbramento.

Assim, a efetivação de Rogério, mais do que tradição, insere-se na cultura Rubro-Negra que se eterniza, atualizada com novos elementos dentro das circunstâncias do nosso tempo que acaba de nos levar ao Hexa.

Rogério, assim como o Monstro Andrade, é fruto da versão nada positivista que caracteriza o lema da outra República aqui vizinha, fronteiriça. "Ordem e progresso"?

Preferimos "Craque o Flamengo faz em Casa".

Rogério não feito apenas para ter sido o que foi em campo mas, para, tal como o Monstro Andrade, empreender viagem semelhante, este ao Hexa, aquele ao Bi da Libertadores.

Um governante Rubro-Negro não se sustenta apenas no seu voluntarismo. Indispensável a base, pelo menos significativa, na força material de todos os que integramos esses 40 milhões da República Federativa do Flamengo.

Patrícia parece que devagar compreende onde está.

Sabe que o Flamengo não é
Liechtenstein de Leites e Rabelos.

SRN

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Caboclos da Light


Pensei em propor a 28 uma entrevista.

Naquela base de quem não quer nada, mas, para conferir dignidade, a pergunta curta, tirante ao panegírico, para a resposta profunda, sábia, dialeticamente materialista, em substituição à filosofia, hegeliana, pois 28 não anda de cabeça baixa nem é surdo.

Como eu também não.

Então, os ouvidos despreocupados, o rádio ligado ao meu lado à mesa em que formulava e redigia as perguntas, quando há uma queda na luz, seguida pelo apagão.

Perguntei à Bete se não havia pagado à Light, qualquer coisa eu juntava pro ferro-velho as latinhas de cerveja, amassava junto as botijas de plástico da caninha da roça, amassava também junto a frigideira velha.

Nem uma coisa nem o Lula.

O fenômeno, metafísico, acreditem: o rádio falava, continuava a falar.

Eu, que ando descuidado da parte espiritual, não tomado o banho de descarrego do pescoço pra baixo, só podia estar sob eflúvios provenientes do lar do Prado, vindos a cavalo, amarrados a rédeas bandeirantes.

Na sonoplastia etérea estrurgia o que fosse. Sirenes, apitos, asa de helicóptero, relinchos, erres dobrados, porrrrtas, 1 chops e 2 pastel.

Não se faz jornalismo no escuro, mesmo com a conta da Light em dia. O que se consegue nessas horas é buscar o refúgio da caixa de fósforo, pois a vela é sempre a do despacho vencido, monótona, na luz baça persecutória.

Ainda bem que passa.

O problema é que caboclos como esses prestam um deserviço à cultura popular.

São insuportáveis a um ponto, que não basta o ponto, é preciso junto um Pai Nosso.

O Lar do Prado e seu caboclo bandeirante são os grandes fomentadores do fenômeno evangélico nacional.

Pelo jeito a luz só volta amanhã.

SRN

Varandão da saudade, sem chance


O Flamengo é sempre no presente. Quando vai ao passado jamais permanece. O Varandão da saudade, se existir, atravessa a ponte, vai lá pra Niterói, não volta pela perimetral.

A antiga praia do Caju, onde tudo começou, é a rótula da nossa saga. Nada mais Rubro-Negro. Pra que que lado for, seja à esquerda, para o subúrbio, seja à direita, para a zona sul, a avenida Brasil é a marcha da Nação Maior na conquista do Brasil, na ação de um dos povos Libertadores das Américas.

Temos a Lapa, o linho branco, a navalha, o tamanco, o lápis na orelha, "compro ouro, compro prata", "olha o funileiro, freguesa". Só não temos cavalo nem rede. A Nação Maior, mesmo nacional e popular, é carioca, porque não sabe ser fuleira. O tropismo que o dinheiro tem de ser paulista pode reparar como não vai demorar muito pra derrubar aquele troço de mau gosto, num daqueles saaras da barra, desproporcional, espremido na falta de escala de quem precisa de arquibancada, lembrando o Tita, o único dos símbolos de 81, que só não não entrou no Panteão da Raça pela mania de querer o lugar de ZICO. É mais ou menos isso: Tita é o cara da Barra que pensa ser o ZICO, mas que, em breve, vai pro grêmio, joga no vice e termina em 90, na reserva do ínício da "era dunga".

Se os corinthianos entendessem isso, já seria meio caminho. Conseguiriam a tranquilidade para a longa expedição bandeirante, passando pelos bambis do morumbi, os "oh louco!" do palestra, sem passar pela vila belmiro, que aquilo, de resto, não é praia, até chegar ao litoral, ao porto, à grande aventura cosmopolita que não é acessível, infelizmente, a neófitos.

A Massa Rubro-Negra anda de trem, carrega marmita, sem necessitar estágio para o galeão, que fica do lado. É só passar em casa, tomar um banho, trocar de roupa, dar um beijo na patroa.

Vamos ao Japão como quem pega o 433.

Por enquanto, é só no Chile.

SRN


quarta-feira, 5 de maio de 2010

A História sabe do que precisa

À Nação Maior cabe o papel que não poderia ser exercido por nenhuma outra.

O corínthias conseguiu, pela possibilidade que oferecemos, um protagonismo que merece ser reconhecido.

Não somos nem nunca fomos arrogantes, apesar das aparências e das ofensas que recebi no email deste blog, todas perfeitamente compreensíveis pela falta de hábito, pela inexperiência de quem, como disse o outro, "mal entrou no ônibus e já quer sentar na janela".

Jamais tripudiaríamos sobre quem sempre sabemos ser mais frágil, infantil, até ingênuo no seu atrabiliarismo.

A grandeza da Nação recebeu a interpretação correta, quando o Time, na casa alheia, comportou-se com a cortesia e a cerimônia de visitante, não botando os pés na mesa nem no campo do corínthias, praticamente todo o primeiro tempo.

Não conseguíamos o contra-ataque, numa estratégia que não poderia funcionar sem a qualidade que nos falta no meio-campo.

Bastou um pouco de dinamismo, a movimentação pelas lados do campo, quando Rogério coloca Kleberson, expondo com toda a clareza a fragilidade desse "bando de loucos", apelido, de resto, tão rídiculo, quanto o próprio futebol de ronaldo, danilo, roberto carlos, e a enumeração para a fila ali do lado da UFRJ, na Praia Vermelha, seria grande se não fosse a pouca paciência com essa lista de alma sertaneja.

Tenho, por princípio, tirar o som da televisão. Reacionário por reacionário prefiro aqueles que me remetem a uma memória afetiva e é o que me faz ouvir o rádio, na saudade do mais Rubro-Negro de todos, Jorge Curi, que só não leu o AI-5 - o que, agora, não vem ao caso. Aliás, até nisso, permanecemos dignos, apesar das torturas a muitos de nossos irmãos de sangue.

Tornei redivivo, por poucos instantes, aquele moleque que gritava, em transe:

"Acabou! Acabou!"

Valeu Raça, Paixão e Talento.