sábado, 20 de dezembro de 2014

A Honra de Integrar o Museu do Negro

O início da tarde de hoje (19/12), pra mim, foi especial. Passo há anos em frente à "Igreja da Escrava Anastácia", ali na Uruguaiana, na cidade, e agora valerá mais do que nunca para entrar, sempre que possível, no Espaço Cultural que contêm e no qual atua o meu amigo historiador e museólogo, o Rubro-Negro Bruno Alves Fernandes. Um espaço todo dedicado à memória negra, com artefatos e arte. Dez trabalhos meus agora fazem parte do Museu. Tinha de registrá-los e o Bruno escolheu o Ícone Maior. De fato, Madiba. Valeu mesmo, Bruno. Uma HONRA

SRN. 

Rua Uruguaiana, Praça Monte Castelo, nº 25, Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Quem ri por último sempre se Freud

O trocadilho é um chiste e isso é pavoroso, uma espécie de humor de segunda divisão, de Eurico Miranda. Aliás, o humor sempre foi do interesse de Freud. Lembrei-me do texto curto que escreveu, em 1927, “O Humor”, prum Congresso de Psicologia, porque vi o Ronaldo “Fenômeno” dançando num comercial fazendo propaganda de produtos pra família. Um “Fenômeno”, como vimos nos comentários da Copa, no lugar certo, na hora certa: ao lado do Galvão e um pouco antes da lipoaspiração do “Fantástico”. O “craque”, segundo o próprio, fez análise com um psicanalista argentino. A piada parece pronta, mas não é. Até separei um trecho do texto do Freud que estabelece a diferença entre o piadista presepeiro e o humorista que vive do prazer que tira da crítica:



“Essas duas últimas características - a rejeição das reivindicações da realidade e a efetivação do princípio do prazer - aproximam o humor dos processos regressivos ou reativos que tão amplamente atraem nossa atenção na psicopatologia. Seu desvio da possibilidade de sofrimento coloca-o entre a extensa série de métodos que a mente humana construiu a fim de fugir à compulsão para sofrer - uma série que começa com a neurose e culmina na loucura, incluindo a intoxicação, a auto-absorção e o êxtase. Graças a essa vinculação, o humor possui uma dignidade que falta completamente, por exemplo, aos chistes, pois estes servem simplesmente para obter uma produção de prazer ou colocar essa produção, que foi obtida, a serviço da agressão. Em que, então, consiste a atitude humorística, atitude por meio da qual uma pessoa se recusa a sofrer, dá ênfase à invencibilidade do ego pelo mundo real, sustenta vitoriosamente o princípio do prazer – e tudo isso em contraste com outros métodos que têm os mesmos intuitos, sem ultrapassar os limites da saúde mental? As duas realizações parecem incompatíveis.”


SRN

sábado, 13 de dezembro de 2014

13 de Dezembro

A chamada Nova História Política que se desenvolve na historiografia, a partir dos anos 70, 80, do século passado, trouxe novas abordagens e objetos, como o estudo do imaginário, do simbólico, das representações, enfim. Entretanto, a História Política Clássica, que trata dos fenômenos do poder, das relações de Estado continuam uma chave de análise indispensável, conforme o grande historiador inglês, Perry Anderson, da escola marxista inglesa (que nos deu, entre outros, Eric Hobsbawm). No prefácio de “Linhagens do Estado Absolutista”, Anderson justifica o Estado como tema de reflexão: a luta de classes se resolve na política e as transformações do Estado, no tempo, manifestam justamente “as modificações básicas nas relações de produção” (a questão da Petrobras, dos programas sociais, das ações afirmativas, para além dessa discussão mesquinha de moralismo de um udenismo reducionista, podem muito bem ser vistas a partir desse ângulo de Anderson). Portanto, é possível conjugar paixão e crítica política. 

13 de dezembro possui essas duas dimensões: em 68 foi a data do terrífico AI-5 que institucionalizou, de vez, a ditadura pra prender, torturar, matar e exilar sem pruridos. Treze anos depois, em 1981, com o AI-5 já extinto (dezembro de 78), a ditadura negociando a transição como alternativa aos seus problemas internos devido à autonomia que caminhava para o incontrolável do aparato de repressão (as bombas em banca de jornal, a bomba que explode na OAB-RJ,em agosto de 80 e mata a secretária Lydia Monteiro, a bomba do Riocentro, em 30 de abril de 81, no show do Dia do Trabalhador, que explode no colo do próprio agente do aparato de repressão dentro de um puma), tudo isso o Rubro-Negro acompanhava, não era aquele timaço, talvez o melhor time de futebol do século passado, que cancelaria seu juízo crítico, os problemas que enfrentávamos, tensos, no fio da navalha. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; tita, Nunes e Lico eram uma espécie de poema que Drummond confessaria (se não confessou, é razoável que se imagine a possibilidade) gostaria de ter escrito. O Flamengo era Campeão do Mundo em Tóquio, passeando sobre os ingleses do Liverpool, 3 x 0. Certamente, o verso de Orestes Barbosa, um dos Monstros da Vila – "Tu pisavas nos astros, distraída" – era uma boa expressão pra Arte daquele time.

SRN


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mostra de Cordel Português na Casa de Rui Barbosa

Não é piada de português, mas houve também uma modalidade de cordel em Portugal e a prova é a “Coleção Arnaldo Saraiva” em exposição inaugurada hoje na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo. Segundo o próprio Arnaldo Saraiva, um dos palestrantes, foi o português, que já acabou, a fonte do nosso cordel nordestino. O Historiador e Presidente da Casa de Rui Barbosa, Manolo Florentino e Alexei Bueno, que escreve a apresentação da Mostra, também compuseram a mesa de grandes nomes, o último ou o primeiro dos quais, ninguém mais ninguém menos do que o embaixador Alberto Costa e Silva, cujo nome basta. Foi ele, aliás, com sua erudição tranqüila, levemente irônica, que nos esclarece informando que, quando de sua experiência na Nigéria, viu que lá o cordel era um fenômeno urbano e de classe média por uma razão muito simples: também falava de amor e amor na Nigéria era, então, uma experiência recente, citadina, pequeno-burguesa, pois que, a exemplo da aristocracia européia, também a tradição nigeriana arranjava os casamentos conforme interesses de outra natureza que nada tinham com a liberdade do futuro casal de escolherem os próprios parceiros. 

Na exposição, aproveitei que estava ao meu lado e perguntei-lhe da semelhança do desenho em um cordel português do início do século passado com o traço do nosso caricaturista da época J. Carlos. O embaixador disse que era emulação característica. Minha sorte foi que a Cátia percebeu a conversa e fez a foto. 

SRN


Por que nosso passado traumático não é de interesse público?

Por que mortos-vivos, como Bolsonaro, recebem meio milhão de votos e imbecis, como o roqueiro aposentado Roger, podem tranquilamente dizer, referindo-se ao assassinato de Rubens Paiva, aqui perto, no quartel da PE, na Barão de Mesquita,  que sua “família não sofreu nada porque fazia o certo”?

Há explicações muito pertinentes, tributárias ao campo clássico da historiografia da “conciliação por cima.”  Mas, os estudos da memória têm ganhado muita força e, de um certo modo, a interpretação da anistia/amnésia ressalta a conveniência do silêncio como meio de seguir adiante, sem causar constrangimentos.

Parece que há um consenso entre os estudiosos da memória em torno do aspecto do entendimento do historiador Todorov acerca dos “abusos do dever de memória” – as memórias “literal” e “exemplar” -  em sociedades com passado traumático. A “memória exemplar’ é uma espécie de socialização do agravo. O problema deixa de ser exclusivamente individual, restrito ao âmbito da vítima – o que permite o contra argumento fácil, bem caracterizado no roqueiro aposentado que retira a dentadura do copo pra aparecer na televisão dizendo que “sua família não sofreu nada na ditadura porque fazia o certo” – e passa a ser de todos, coletivamente compartilhado. A “memória exemplar’, assim, torna-se um bem comum, estabelecendo uma relação com o passado traumático e as injustiças do presente. 

É, por isso, que a anistia que persiste amnésia impede a relação com o passado, produzindo lobos idiotas, erros de revisão de Paulo Francis, mortos-vivos estupradores, humoristas fascistas e roqueiros do Alzheimer. 

SRN


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Papagaio de Pirata

A gentileza mineira, que já conhecia há muito pela convivência ao longo da vida com vários representantes da Monumental Minas Gerais, ontem, mais uma vez, confirmada. O Renato Aroeira, por si só, já é um Monstro e ainda teve a ousadia de me apresentar, como "cartunista", a ninguém mais ninguém menos do que à Dupla de Gênios Caruzo, Paulo e Chico. 

Não sabia o que fazer. 

Parecia o Márcio Braga, ex-Presidente do Flamengo, na época da Constituinte, aparecendo ao lado do Tancredo e do Ulisses.

SRN


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A História também tem necessidades especiais

A História do tempo Presente (HTP) é um domínio novo na historiografia, tributária à idéia do grande historiador Marc Bloch, para quem, nas primeiras décadas do século passado, a História, História-Problema, uma vez conhecimento controlado por teorias e métodos próprios, passava a se constituir um “estudo do Homem no tempo”. E a diferença, relativamente ao que pensavam os historiadores do século XIX – “a História é o estudo do passado humano” – está justo no caráter dinâmico da análise. O passado não está mais dado, disponível, à espera de “ser descoberto” e definido de uma vez por todas. Importa agora analisar o que mudou, como mudou, o que permaneceu, porque permaneceu. Isso não é fácil, envolve a subjetividade do próprio historiador. 

Todo esse papo pra dizer que, no dia de hoje, data simbólica aos portadores de necessidades especiais, cabe encarar a necessidade que permanentemente tem a História com determinados eventos. Canudos, por exemplo. Diversas temporalidades são consideradas no recorte do tempo e espaço em que o Massacre ocorreu. Euclides da Cunha mesmo, como correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”, segue com uma idéia, preconceituosa, e, diante do que vê, a modifica. Outras consideraram o messianismo e o anti-republicanismo do Conselheiro como um sacrilégio e uma sublevação pelo retorno da Monarquia. Os coronéis do sertão vendo sua lógica de dominação ameaçada pela experiência de autonomia de uma comunidade de sertanejos até bem pouco subservientes. 

Hoje é um bom dia pra lembrar de Canudos

SRN




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Luxemburgo x "mano francos"

Nada mais justo. Excelente o trabalho que fez de construção do time, completamente sem ânimo, das sobras de modalidades "mano franco". Historicamente, sempre nos identificamos com quem é do Manto: Coutinho, Carpegiane, Carlos Alberto Torres (zagueiro e, ao encerrar a carreira, campeão brasileiro como técnico em 83), Carlinhos, Andrade. 

SRN, Luxa, lateral que substituía o Grande Maestro, Leo Capacete, Junior, o Maior Lateral esquerdo da História do Futebol brasileiro


"O Clube de Regatas do Flamengo assinou contrato, nesta terça-feira, com o técnico Vanderlei Luxemburgo até dezembro do próximo ano. Foram mantidas e inalteradas todas as condições anteriormente acordadas e que já vinham sendo cumpridas pelas partes."


sábado, 15 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Leandro Konder, o Divulgador

Leandro Konder tinha nome de craque e foi um grande divulgador. Uma característica pejorativa no mundo acadêmico em que que a busca pela contribuição que faça a diferença é uma obsessão. Tive, na UERJ, alguns professores que fizeram eletivas com ele na PUC. Diziam-no um sujeito excelente, de refinado senso de humor e, sobretudo, tolerante e aberto ao debate. Um erudito, filho de comunista histórico, talvez, por isso, consciente da importância da divulgação do pensamento produtivo que não pode vir do produtivismo acadêmico que obriga a "bater metas", como uma loja de departamentos de pós-graduação. Tenho um livro dele, "Marx, vida e obra",edição de 1974, edição da Paz e Terra e coedição José Alvaro,comprado barato num daqueles sebos na Cidade, quase na Praça Tiradentes. A consulta é permanente, toda vez que preciso esclarecer problemas comezinhos, relativos às categorias fundamentais do pensamento marxiano. Além disso, Konder não tinha vergonha de escrever bem. Afinal, era um divulgador. 

SRN


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Luxa Lúcido

Luxemburgo precisava do Flamengo e o Flamengo dele. Após a sucessão de bobagens (o que justifica sempre ver a televisão sem som), ditas pelos "analistas" após o jogo (como se o Flamengo jogasse sozinho), Luxemburgo fez uma análise correta do jogo. Fomos imprensados, poderíamos ter saídas pelos lados, com o Marcio Araújo e com Canteiros (ao final, perdeu a classificação, mas é do jogo, da tensão do jogo), mas não tivemos, porque é do jogo. Perdemos prum time que foi muito melhor ontem. Só isso, Valeu Luxemburgo. Excelente trabalho.

SRN


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Memória como um Bem Comum

A votação do morto-vivo Bolsonaro, aqui no Rio, demonstra a fragilidade do nosso dever de memória. Ao contrário da Argentina, a memória da ditadura brasileira, talvez pela anistia que persiste amnésia, tem se limitado à militância dos direitos humanos, das vítimas diretas do terrorismo de Estado, como se o resto da sociedade nada tivesse a ver com isso. A reparação individual, embora indispensável, não é suficiente. A historiografia tem discutido o dever de memória em sociedades de passado traumático. Transformar a memória da ditadura - censura, interdições, exclusão, prisões arbitrárias, tortura, banimento e morte - num imperativo moral ( e, pra isso, as redes sociais são indispensáveis) é, de fato, a moral adequada contra lobos idiotas, erros de revisão de Paulo Francis e viúvas civis da caserna. 

SRN


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O Alguidar do Luxa

Com a gentrificação infeliz que sofre Vila Isabel, não se encontra mais despacho com tanta frequência. Havia uma esquina em que era na veia, a esquina aqui da Gonzaga com a Negrão de Lima ("rua do rio", do rio Joana). Com o quiosque iluminado instalado, agora só mesmo indo no sobrado do Caboclo Sete Flechas, ali na 28. Mas, Luxemburgo está voando, embora tenha colaborado com o alguidar decisivo em que despachamos o frango com farofa ontem. 

SRN


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

"Quem joga no Flamengo não sente falta de seleção"


Raul foi o maior goleiro que vi vestir o Manto Sagrado. Mas, o Paulo Vitor tem sido de uma grandeza impressionante: elástico, preciso, ágil. Hoje foi tudo isso, novamente.Merece uma vaga na seleção do Dunga. Aliás, é melhor ficar de fora desse time do Marin e vírus anexos. Como dizia o próprio Raul:


"Quem joga no Flamengo não sente falta de seleção." 

SRN


Golpismo de Facebook


Após o Fla-Flu da campanha, em que o argumento é abafado pela emoção, parecia, pelos pronunciamentos, tanto de Dilma, quanto do próprio Aécio, no domingo, que a próxima etapa do debate político seria muito boa, com a explicitação do dissenso. Entretanto, o que se verifica agora é a caricatura do que houve de pior na nossa história, com arremedos de golpismo facilitados pelo facebook. E a crítica que teria de ser feita dentro do próprio governo, entre outros temas, como o da copa do mundo, em que a própria Dilma aparecia visivelmente constrangida ao lado de Blatter, Marin e vírus anexos. Mas, como fazer isso, se o Fla-Flu continua, transformado em caricatura de pelada do Aterro?

A grande intelectual argentina, Beatriz Sarlo, em "Tempo Passado: cultura da memória e guinada subjetiva", na crítica que faz à ordem baseada no anacronismo testemunhal, afirma que não cabia criticar os erros dos que eram abatidos pela ditadura argentina, pois isto significava contribuir à repressão, mas que, agora, no modelo de justiça de transição adotado na Argentina, o terrorismo de Estado sendo punido, cabia o exame, a reflexão:

"(...) para dar um exemplo: nas décadas de 1960 e 1970, não existia nos movimentos revolucionários a ideia de direitos humanos. E, se é impossível (e indesejável) extirpá-la do presente, tampouco é possível projetá-la intacta para o passado."

SRN


terça-feira, 28 de outubro de 2014

"Cidadão Boilesen"

Ontem, no canal Curta, assisti ao excelente documentário "Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski. O empresário dinamarquês, presidente da Ultragas, um dos articuladores entre o empresariado paulista do financiamento da terrífica Oban, centro de tortura no início dos anos 70, em São Paulo, sob comando do coronel Ustra. No documentário, Delfin, Ministro da fazenda de Medici, do chamado 'Milagre econômico", aparece, em imagens da época, todo lampeiro circulando entre os empresários e fazendo prosélito do regime. Nessas reuniões, Delfin passava a sacolinha de contribuição, a reboque de Boilesen. O gringo morre feio. Mas, o que interessa é que hoje, contribuindo pra proposta da Dilma, vale discutir esse episódio, a relação do empresariado paulista com o financiamento da repressão, tema que sempre, por razões óbvias, foi empurrado pra baixo do tapete. O contexto hoje é outro e o próprio Delfin, inteligente como é, compreende o tempo em que vive, e não à toa aproximou-se de Lula. Por que não interpelá-lo, a fim de contar o que sabe, sua versão sobre este episódio do qual foi um dos protagonistas? 

SRN


Seminário "A Grande Guerra 100 Anos Depois: Memórias e Significados"

Meu amigo, o jovem historiador e professor da UERJ, Marcus Dezemone, convida. Só a visita ao Memorial já é uma maravilha.

SRN


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Benjamin Pensa com Imagens de um Crime

A História, para Walter Benjamin, é pensada com imagens que remetem à cena de um crime. O que se esconde naquela rua vazia na fotografia de Atget? Agora é preciso dizer alguma coisa e, por isso, a legenda no jornal. Pouco importa se é falsa, manipulada. Importa que este é o caminho da disputa política. 

A propósito, quando dizem em programa eleitoral que defendem a redução da maioridade penal, o que pensam sobre a Candelária Netinho & Roger Rabbit? 

SRN


Narração Possível em Sociedades Pós-Traumáticas

Contribuindo pro debate:

"Um desafio que o grupo de intelectuais envolvidos com o projeto editorial das revistas [Beatriz Sarlo, 'Punto de Vista' (Argentina, 1979-2008) e Nelly Richard, 'Revista de Crítica Cultural' (Chile, 1990- 2008)] aborda é a questão da possibilidade de narração em sociedades pós-traumáticas. Uma tese forte presente em tal grupo é a de que nosso período pós-ditatorial é parte do processo de constituição de nossa pós-modernidade cultural (AVELAR, 2003). Haveria portanto nas sociedades do cone sul latino-americano uma estreita relação entre pós modernidade e pós-ditadura que portaria ao menos dois grandes vetores de forças avessas ao trabalho de narração: o trauma ditatorial e o presentismo das sociedades de consumo midiático pós-modernas."

"Um teórico alemão na periferia do capitalismo: Walter Benjamin e os Estudos Culturais britânicos no Cone Sul da América Latina" / Silvia Karina Nicacio Cáceres, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em História Social - UFRJ

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domingo, 12 de outubro de 2014

Netinho e a Goleada que o Cruzeiro Quase Tomou

A segunda casa de todo mineiro é o Rio. E, Rubro-Negros, recebemos o Cruzeiro com toda a generosidade histórica que sempre nos coube, através de um brilhante 3 x 0, quase uma goleada, quase a goleada que o Netinho toma em casa dos próprios mineiros. 

SRN


Estado Mínimo ou "Culto à Austeridade"


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Thriller"

http://youtu.be/hG6oy46qKE4


Tudo Vice

O Vasco assumiu, como era de se esperar, a vice liderança da segunda divisão do Brasileiro. Café Filho, vice de Vargas, também era outro com vocação irresistível à segunda divisão. E o que era pior, golpista. A fonte abaixo é do CPDOC da FGV.



SRN



"Quando Vargas foi reeleito em outubro de 1950, Café Filho obteve a vice-presidência. Além disso, também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Em 22 de agosto de 1954 um grupo de oficiais da Aeronáutica liderados pelo brigadeiro Eduardo Gomes, lançou um manifesto, assinado também por oficiais do Exército, exigindo a renúncia do presidente que, mesmo assim, manteve sua posição de permanecer no cargo. No dia seguinte Café Filho discursou no Senado comunicando a negativa de Vargas em aceitar a renúncia conjunta, e seu pronunciamento foi considerado um rompimento público com o presidente.

A situação se agravou com a divulgação, no dia 23, de um manifesto assinado por 27 generais exigindo a renúncia de Vargas. Na madrugada seguinte, Café deixou clara sua disposição de assumir a presidência, ao mesmo tempo que Vargas comunicava a seu ministério a decisão de licenciar-se. Procurado por jornalistas e líderes políticos, Café mostrou-se disposto a organizar um governo de coalizão nacional caso o presidente se afastasse em caráter definitivo. Nas primeiras horas do dia 24, depois de receber um ultimato dos militares para que renunciasse, Vargas suicidou-se. A grande mobilização popular então ocorrida desarmou a ofensiva golpista e inviabilizou a intervenção militar direta no governo, garantindo a posse de Café Filho no mesmo dia.

Procurando diminuir o impacto produzido pela divulgação da Carta Testamento de Vargas, Café Filho emitiu logo sua primeira nota oficial, afirmando seu compromisso com a proteção dos humildes, "preocupação máxima do presidente Getúlio Vargas".

No início de 1955 recebeu do ministro da Marinha um documento sigiloso assinado pelos ministros militares e por destacados oficiais das três armas, defendendo que a sucessão presidencial fosse tratada "em um nível de colaboração interpartidária" que resultasse em um candidato único, civil e apoiado pelas forças armadas. Tratava-se, indiretamente, de uma crítica à candidatura de Juscelino Kubitschek. O presidente apoiou o teor do documento e, diante dos comentários da imprensa sobre sua existência, obteve a aprovação dos signatários para divulgá-lo na íntegra pelo programa veiculado em cadeia radiofônica nacional A Voz do Brasil. Apesar dessa demonstração da oposição militar à sua candidatura, Kubitschek prosseguiu em campanha e seu nome foi homologado pela convenção nacional do Partido Social Democrático (PSD) em 10 de fevereiro."

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os Ossos do Armário do Morto-Vivo Bolsonaro e as "Políticas de Desmemória"

A votação do morto-vivo Bolsonaro propiciará a franqueza do debate que a transição política de mais de 30 anos impediu ao produzir a "política de desmemória". Quando o morto-vivo atua em seu "Thriller", sai em busca das vítimas para satanizá-las: "quem era direito não foi incomodado pelos militares". É aí que a caricatura cabocla Moonwalker tropeça nas próprias pernas, na verdade, as abre para que se introduza o que importa: 

As "medidas de memória" (concretas: indenizações; simbólicas:monumentos, memoriais, eventos), embora importantes, acabam por esgotar-se na vítima, na reparação do que sofreu e na punição dos que a fizeram sofrer. Esquece-se da política de terror que propiciou tanto um, como os outros, e a respeito de cuja responsabilidade deve-se localizar no Estado. Por que em determinado contexto histórico o Estado perseguiu, torturou, baniu, matou? 

"Dessa forma, há outro processo de omissão em relação às responsabilidades políticas e sociais de reparação destinadas ao conjunto da cidadania." (BAUER,2014,p.156) Fonte: "Quanta Verdade o Brasil Suportará? Uma Análise das Políticas de Memória e de Reparação implementadas no Brasil em Relação à Ditadura Civil-Militar" / Caroline Silveira Bauer, Doutora em História pela Universidade Federal do Rio grande do Sul e pela Universitat de Barcelona. Professora de história contemporânea na Universidade Federal de Pelotas. 

SRN


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Beatriz Sarlo Não Usa Maquiagem

A pós-modernidade, segundo Beatriz Sarlo, em "Tempo Passado: cultura da memória e guinada subjetiva", é uma "operação de apagamento' do passado, impondo-se a ditadura do presente sobre os demais tempos, passado e futuro. Mas, uma das ironias deste presente perpétuo é que, muitas vezes, o passado nele pega carona, conservando-se vivo, com todo potencial de conflito. Certo, Bolsonaro é o discurso revisionista favorável à ditadura, mas, ao mesmo tempo, a possibilidade de retomada crítica do que representa o próprio morto-vivo Bolsonaro. A herança da ditadura com suas implicações incômodas, como a cumplicidade da sociedade brasileira, poderá ser feita agora de cara limpa, sem vergonha de assumir posições.

SRN


Bolsonaro e o Novo Uso do Caixote da Feira

Em "Ditadura, Anistia e Reconciliação", Daniel Aarão Reis, historiador e professor da UFF, procura levantar algumas questões, nos termos conflituosos entre História e Memória, sobre a revisão da Lei de Anistia. Uma delas a de que a população brasileira nela, na revisão, não está nem um pouco interessada. Este é um texto de leitura muito útil. Afinal, a julgar pelos últimos dados divulgados, Bolsonaro parece despontar como o deputado federal mais votado no Rio. Pezão, Crivela, Garotinho, Malafaias, Jesus de cabo eleitoral, agora a ditadura absolvida (o que comprova a sua condição de produto social, com amplo apoio, e não o deslocamento de sentido de que a sociedade havia sido apenas vítima, resistente), a lei do cão como legítima política de Estado. Mais do que nunca, a necessidade do espaço público, por todos os meios, redes sociais, engradados de cerveja, latões de tinta, caixotes de feira - qualquer tribuna serve na luta contra essa recidiva obscurantista que nos assola. E o que é mais triste, justo no Rio.

SRN


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Voo Livre

Luxemburgo está voando, recuperando-se de suas desastradas temporadas recentes. Já havia feito uma grande demonstração no jogo contra o São Paulo, em que organizou o jogo pelo lado esquerdo através do Everton, que, aliás, voltou outro, amadurecido. Caminho espero parecido caberá ao Gabriel, ainda muito moleque vindo da Bahia. Ontem, Luxemburgo voltou pro segundo tempo, compreendendo bem o adversário, disposto a liquidar o jogo, abafando a saída de bola e abrindo o Gabriel. A bola veio limpa e livre pro moleque, com habilidade, bater na rede, junto à trave.

SRN


terça-feira, 30 de setembro de 2014

27° Salão Nacional de Humor de Volta Redonda


Valeu, Volta Redonda, pelos meus cartum, charge, caricatura e "Senna" selecionados, Volta Redonda que me lembra Vargas, Jango e Brizola, a bomba que explodiu o monumento feito por Niemeyer em homenagem aos trabalhadores mortos numa greve ao final dos anos 80. Humor é política. Tudo, de resto, é política.


SRN


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Chico Xavier conheceu Paul Ricoeur?


O filósofo francês Paul Ricoeur, na ilação entre memória e história, considera que a memória parte sempre de uma imagem, à qual cabe a história a suspeição crítica. Não deixa de ter um traço positivista separando objeto e historiador, como se ambos não integrassem o mesmo plano. Esta é a vantagem da História do tempo Presente que reconhece o pertencimento do historiador, sua subjetividade fazendo parte do seu próprio trabalho. Pior, então, quando se desenha, numa espécie de Deus Fuleiro do ecoline, do nanquim, do lápis de cor, do café - fuleiro, anacrônico, tirante a um Deus do velho Testamento, cheio de certezas, impermeável à mudança do Verbo feito Mouse, do Novo Testamento. E Religião é um troço tão complicado que deveria ficar fora de qualquer eleição. A imagem da memória à que se refere Ricoeur também serve prum tipo de anacronismo do século XIX, o século da crença absoluta na evolução e no progresso (como se já não bastassem Marinas, Macedos, Malafaias etc). Seria o Medici a imagem do progresso e da evolução, defendida por Chico Xavier, num Pinga-Fogo de 21/09/1971, cujo link segue abaixo? Agora o seguinte, paciência porque é muita chorumela até chegar na fala que importa.

SRN

http://youtu.be/o8GwMHbRbm0



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Romário no Senado?

Romário teve uma excelente atuação no combate ao futebol de Blatter, Marin e vírus anexos. Correu risco, deve ter perdido muito dinheiro: poderia ter se juntado ao novo tucano, pesado, aliado do Aécio. Agora, continua bem, espetando a "nova" comissão técnica. Tudo certo. Mas, daí a representar o Rio no Senado vai uma distância considerável. Deveria ter concorrido a mais uma legislatura na Câmara. 

SRN


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Pedagogia do Obscurantismo

Por Máximo




Muito mais importante do que carimbos de SPC é a representação de intolerância que encarnam Garotinho e Crivella. Garotinho nem sequer tem isso. Seja como for, ambos coonestam, através do que não dizem, mas do que suas campanhas significam, os ataques aos terreiros de Candomblé e Umbanda. Independente de tudo que já se sabe historicamente da importância do Estado laico, são também de uma ignorância estética pavorosa. 

Fiz este desenho (embora tendo de estragá-lo com a figura que a acompanha), a partir de uma escultura do Benin, para lembrar da inflexão que a escultura africana promove nas artes plásticas do Ocidente. Não fosse pela forma aberta, a anatomia própria, nada clássica - fatores que encantaram Picasso e revolucionaram sua arte - não teríamos o Cubismo. Uma criança evangélica - cada vez em maior número nas escolas - diante de uma foto de escultura africana já, desde logo, a rejeita: "é coisa do diabo.". Isso é Garotinho. Isso é Crivella.

SRN

sábado, 6 de setembro de 2014

Valeu Flamengo

Por Máximo


Valeu Flamengo. Pouco importa o resultado contra o time que tem uma torcida do tipo que se conhece (e aí cabe a generalização), tipicamente treinada pelo treinero do pinochet.

SRN


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Flamengo 3 (além dos penaltis) x 0 Coritiba

Por Máximo


Por essas e outras, que é bem fácil entender o motivo pelo qual o Flamengo é Patrimônio Cultural Imaterial Carioca. Somos - plagiando Vinícius - um Estado de Espírito.


SRN


terça-feira, 2 de setembro de 2014

"A Ditadura nas representações Verbais e Visuais da Grande Imprensa:1964-1968", de Rodrigo Patto Sá Motta

Por Máximo

O historiador Rodrigo Patto de Sá Motta tem estudado charges, cartuns e caricaturas. E no artigo, cujo título está lá em cima, Patto demonstra como a representação visual, inscrita no campo da História do Tempo Presente, tem ainda mais acirrada sua natureza de instrumento na função política. Copiei abaixo um trecho do artigo, além das respectivas charges da época objeto de análise do autor, cuja leitura na íntegra vale a pena. O artigo está disponível na internet.

SRN




"O Estadão foi um dos primeiros jornais da grande imprensa “revolucionária” a criticar Castelo Branco. O tradicional diário considerou o presidente excessivamente moderado nos expurgos e equivocadamente inclinado à acomodação com lideranças do regime anterior. Não agradou ao jornal o fato de Castelo Branco apresentar medidas reformistas ao Congresso, como projetos de reforma agrária e de estabelecimento de voto para os analfabetos, iniciativas semelhantes às defendidas por Goulart.18 Entre abril de 1964 e o _nal de 1965, o OESP foi uma espécie de porta-voz da linha-dura. Além de exigir maior dureza contra os “comunistas e subversivos”, OESP contribuiu para a construção de outro inimigo do novo regime, a corrupção. O tema fazia parte do imaginário liberal desde os anos 1950, mas, nas representações veiculadas contra o governo Goulart, a corrupção foi tema secundário diante da proeminência do argumento anticomunista.19 Com o advento do novo regime começou a construção do tema dos dois inimigos da “revolução”, o par subversão e corrupção, com contribuição destacada do Estadão.20 

As charges de Hilde e Biganti acompanharam com fidelidade a linha editorial de OESP. Por vezes, eles se limitaram a ilustrar os textos, mas, em outros casos, foram mais criativos, elaborando artifícios visuais que ofereciam novas possibilidades para representar as posições do jornal. Na fase inicial, em que prevalecia a simpatia por Castelo Branco, Biganti adotou a metáfora do Castelo em sentido positivo, como símbolo da mudança de 1964. A fortaleza representava a solidez do novo poder e sua capacidade de preservar a ordem (_gura 6). Os chargistas do Estadão apoiaram os expurgos e as cassações com entusiasmo
ímpar, como se pode ver nas _guras 7 e 8. Dedetizadores (a empresa se chama “31 de março”) e navios (notem-se os símbolos nas bandeiras: a foice e martelo no barco afundado, a bandeira pirata no que estava sob ataque) serviram como metáforas para evocar a “operação limpeza” das instituições, assim como para mencionar o ataque ao comunismo e à corrupção. Essas charges ajudaram a construir as representações visuais dos inimigos a combater, agregando um tema novo, as ratazanas, bichos repelentes mobilizados para aludir à “sujeira” que se pretendia limpar (figura 9). No caso da figura 9, importante notar a representação da “Revolução” como uma senhora com ares de dona de casa, solução visual muito utilizada nas charges que tem relação com o gênero feminino da palavra revolução, mas também significa menção ao apoio de grupos femininos de direita ao Golpe. Na imagem, a senhora usara o porrete para abater a “serpente” comunista e se preparava para pegar outro bicho repelente, um rato, que representa a corrupção. Esta interpretação se sustenta na leitura de editorial anterior, que havia mencionado o combate à corrupção como o “segundo objetivo” do novo poder e, também, porque o rato configura metáfora tradicional para a ideia de sujeira e corrupção. Até o final da vigência do primeiro Ato Institucional, os chargistas do Estadão continuaram apoiando as medidas repressivas,como a proibição da UNE e a demissão de funcionários públicos, aí incluído o grupo de professores de medicina da USP expurgado em outubro de 1964 (_guras 10 e 11).21" (PATTO, p.9)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Famosa "Cadeira Mole"

Por Máximo




Um moleque desenhista de arquitetura de 18 anos em meio a feras da arquitetura no Projeto Ferro Carajás, na concepção de 10 Núcleos Urbanos no Pará. O escritório de arquitetura montado pela empresa paulista, Figueiredo Ferraz, ao final da praia de Botafogo. Anos 80, pela primeira vez ouvi falar de Sérgio Rodrigues, achava que havia feito alguma coisa pro projeto, consultoria, e acabo de checar com o grande arquiteto e artista plástico Mario Ferrer , responsável pelos projetos dos hospitais dos Núcleos, algumas informações e ele me retificou a memória dizendo que não:

"Ele fez alguns projetos de casas moduladas de madeira mas o forte eram os móveis, principalmente cadeiras."


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