quinta-feira, 24 de abril de 2014

100 anos de Vinícius, DG e Adilson da Silva Santos

Por Máximo

Os cem anos de Vinícius certamente são muito mais do que mulher, sol, mar e poesia. O "Estado da Guanabara" também deve incluir a cidadania integrada. Quem nasceu, de fato, na Guanabara também nasce todos os dias em todos os inúmeros Pavão-Pavãozinho cariocas.

SRN




"Ato em Memória de DG e Adilson da Silva Santos:

Amanha, 24/04, familiares e amigos de Douglas Rafael e Edilson Santos e moradores da comunidade Pavão-Pavãozinho farão uma manifestação em memória e por justiça dos jovens mortos por policiais militares no dia de ontem. 

As mortes geraram revolta nos moradores, que realizaram um longo protesto e foram duramente reprimidos pela polícia. A comunidade chegou a ficar sem luz e as entradas bloqueadas. 

Não podemos permitir que mais pessoas sejam mortas pela polícia em nossas comunidades. 

Não há paz sem justiça. 

Não admitiremos que nossas vidas sejam levadas por uma guerra que não nos diz respeito. 

BASTA DE BARBÁRIE ESTATAL! 

Concentração às 13h, na creche situada na Rua Saint Roman (entrada pela Sá Ferreira), em Copacabana e caminhada até o cemitério São João Batista, em Botafogo ."

terça-feira, 22 de abril de 2014

Jornal de Letras

Por Máximo





Como dizia o Velho Graça, é muito fácil elogiar quem nos agrada. Evidente que somos vaidosos, mas não dizemos, fingindo uma modéstia falsa, que se disfarça de humildade que, de resto, é outra coisa, é conhecer os próprios limites. E nisso, de fato, estou sendo franco: surpreendeu-me a generosidade do José Roberto Lopes, artista gráfico, responsável pela página de arte do Jornal de Letras, em seu trabalho solitário na defesa do desenho, de preferência aquele ainda feito a mão, caneta nanquim, ecoline, raspagem de grafite com gilete, esfuminho e vida que segue, agora também digital.

Além de tudo, Zé Roberto é Rubro-Negro.

SRN


segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Utensilagem das Mentalidades" de Segunda

Por Máximo



A verdade em história é composta de dimensões várias que constituem as apropriações. Estas não são versões, pois versões podem ser quaisquer coisas. Dimensões exigem pertinência, critério de validade. 

Esgotar-se, destarte, no pioneirismo pragmático vascaíno quanto ao combate ao racismo no futebol pode ser coisa de jornalista, de sociólogo, de ficcionista, até de ufólogo para quem os ETs são uma fonte legítima, mas quem pelo menos deu uma olhada na ementa de Teoria da História possui a noção da importância historiográfica do conceito de representação, viu a crítica à "utensilagem" das mentalidades que expunha um conteúdo dado, unívoco, sem recorte do sujeito, sem considerar a questão narrativa.

A despeito do combate à noção dicotômica - verdade x ficção; erudito x popular - não consegue a representação dar conta da exploração do trabalho, da mais-valia, sobre as quais assenta-se o capitalismo e para cuja crítica o marxismo ainda é insubstituível. De qualquer modo, retoma a dinâmica do conflito ao considerar que diferenças sociais não são apenas condição de classe. Tomemos a dimensão da fé. O desencantamento do mundo não só não se provou, como verificamos uma recidiva. Paulo Coelho não é o sucesso que é à toa. Evangélicos são trabalhadores e explorados tanto quanto macumbeiros, mas nem, por isso, são capazes de se unir numa luta comum. Alienação? A diferença que os separa é, de fato, uma interdição, certamente melhor compreendida sem a referida chave dual, ficando mais clara nos termos fornecidos pela representação, o "jogo de escala", em que o local se apropria do global, caracterizando uma estratégia de sentido inapreensível pela dureza da noção de totalidade ("sociedade total").

Rubro-Negros constituímos um exemplo de reelaboração coletiva em que a apropriação do combate ao racismo há muito deixou pra trás a ideia de recepção. Ou alguém tem dúvida de onde vem a força da nossa Torcida?

Ratzinger resolveu pendurar as chuteiras porque preferia ler. Mas talvez seja levar muito longe o esforço por inteligência de certas reminiscências que vivem à espera de que o navio de Cabral ainda volte do Triângulo das Bermudas.

SRN

Avenida Brasil Fechada

Por Máximo




Com a Avenida Brasil fechada, cariocas devem buscar alternativa. Entretanto,recomenda-se evitar como segunda opção São Cristóvão.

SRN

quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Isso é uma Vergonha!"

Por Máximo



Apresentador de telejornal poderá ser o substituto de Adilson Batista.

SRN

Perguntas pro Oliver Stone

Por Máximo




O título "roubado" do Flamengo é o "retrato do povo brasileiro", sempre disposto a "levar vantagem em tudo, certo"?

Rubro-Negros, que não dispensamos o senso de humor, sobretudo quando envolve o Vasco, somos portadores de uma degeneração moral patológica?

O povo brasileiro, sem a orientação dos nossos intelectuais iluministas caboclos, passaremos a puxar o saco do patrão e a votar no governo porque o Flamengo foi maquiavélico e campeão no domingo?

Por fim, JFK não era mesmo um moço tão bom?

SRN

terça-feira, 15 de abril de 2014

MAR DE LAMA NA GÁVEA!

Por Máximo



Na surpreendente cruzada moral que enceta alguns grupelhos, o mais divertido está no gueto dos pseudo-intelectuais. A começar pela personalização do caráter. Impolutos, localizam naqueles, particularmente Rubro-Negros, que não dispensamos o prazer da piada, ainda mais saborosa quando envolve o Vasco, a fonte da expressão, um "verdadeiro retrato do povo brasileiro". Sempre nessas horas, como é óbvio, citam a famigerada (famosa) "Lei do Gerson", daquele anúncio de uma marca de cigarro, "Vila Rica", em que o ex-meio-campo, em meados da década de setenta, já ao final de carreira, anunciava gostar "de levar vantagem em tudo, certo?" Somente neste parágrafo já haveria material suficiente, se trabalhado à luz de referenciais adequados como convém a "intelectuais". Não seria querer demais, porém, quando se lê que "somos responsáveis pela cabeça dos brasileiros", numa pretensão que só não é de uma arrogância pelo que tem de ridicularia infantil?

Em campo similar (sem trocadilho), cabe a analogia, igualmente trôpega, com o que me ocorre da leitura que venho fazendo sobre a trajetória do conceito do populismo na história e nas ciências sociais. Certo, um blog não é o lugar pra aprofundamento, mas nos limites que lhe cabe não deve dispensar a possibilidade da crítica. Uma espécie de comprimido de dipirona, pra ficar no genérico tributário à ridicularia contra a qual "debate". Pensei no "Mar de Lama". Uma maravilha, logo após a declaração do pobre-diabo do Felipe. Reparem no seguinte, como legenda da foto do goleiro Rubro-Negro, sob o título em caixa alta, quase estourando a página, "MAR DE LAMA NA GÁVEA!":

"Ganhar roubado é melhor ainda."

Sairíamos após a leitura, as mãos firmes e indignadas na página suja, com a certeza de que o povo brasileiro necessitaria dali em diante, mais do que nunca,  da mais intensa e contumaz vanguarda esclarecida, naturalmente impoluta, nutrida e fornida, pois a enumeração de particípios à exaustão também é indispensável, de uma visão estratégica dos problemas do país e que se responsabilizaria pela orientação de reformas profundas nesse caráter que superassem o "atraso" e nos pusessem em rumo da felicidade pátria, livres da incorporação tutelada das massas desorganizadas e inconscientes. 

Não me levem a mal, mas cansa até pra fazer piada. Ou, na carona de Didi-Huberman, como o anacronismo de naftalina evidencia "os limites que a distância impõe para sua compreensão."

SRN

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Acadêmicos de Playstation

Por Máximo



O moralismo talvez só não seja uma obviedade maior do que o esforço por criticá-lo. Por isso, preferir o grande Saldanha, muito mais inteligente do que noviças da rua Ceará e acadêmicos de playstation:


"O cara não vai puxar o saco do patrão nem votar no governo só porque o time dele foi campeão."

De fato, quando fomos campeões do mundo, pela primeira vez, em 58, aquele título se inscrevia num contexto de otimismo típico da aurora da modernidade, de que Brasília também era fruto, do governo JK (não cabem as críticas, evidentes, faço apenas o registro por alto). 

Medici, para constrangimento de muitos, era muito popular, adorado pela classe média, com muitos de seus membros podendo comprar o primeiro carro zero pro fim de semana em Cabo Frio (ainda não havia a Ponte, a travessia da baía era feia com os carros da classe média orgulhosa embarcando para o outro lado da poça). O tricampeonato do México entra nesta história - é certo - mas entra justo nos termos do que o professor, historiador, pesquisador e acadêmico, de fato, Carlos Fico, escreve sobre a propaganda política da ditadura em "Repensando o Otimismo". 

Lembro-me bem da Democracia Corinthiana, de Sócrates, Casagrande e Vladimir, fazendo do futebol um espaço inigualável, pela visibilidade popular, da luta pelo fim da ditadura e no esboço do que desaguaria, logo a seguir, na campanha pelas Diretas Já.

O lado esquerdo da tribuna de honra, do Maracanã, muito longe da pasteurização, com a torcida do Flamengo, aí, sim, em uníssono:

"Diretas Já!". 

SRN

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Olha o Factóide, Pelaipe

Por Máximo



Espero que o Pelaipe saiba distinguir factóide. 

Perdemos porque o Leon foi melhor nos envolvendo com um toque de bola rápido e incisivo. 

Ante à personalização do fato estudar história ajuda, ajuda, sobretudo, no futebol em que deveria ser disciplina obrigatória. Na medida da contribuição individual, a do Jaime foi decisiva na reformulação à volta da simplicidade, à recuperação do ambiente Rubro-Negro bastante deteriorado pelos midiáticos treineros do espetáculo, pseudo-tecnocratas da bola, como o que havia na Gávea e que já começara errado pelo nome. Aqui no Rio sempre foi "meu irmão", razão pela qual sempre fizemos história com gente saída da própria Gávea: Carpegiane (para de jogar e assume o time pra ser Campeão da Libertadores e Mundial), Carlos Alberto Torres (que havia jogado na zaga ao final dos anos 70, em fim de carreira) Carlinhos, Andrade, agora o Jaime.

Olha o factóide, Pelaipe

SRN

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Saúde à Viúva

Por Máximo




Não  à toa a recuperação de E. P.  Thompson. O futebol, a este respeito, é emblemático. O tal do Costa, expulso ontem, somado ao gol de outro dia anulado, acabam sempre na reedição, agora em versão eletrônica e digital, do Partido Terrífico Rubro-Negro. A despeito da estupidez que não vale nem a piada, não dá pra aturar das críticas ao futebol achar que o cara vai votar no governo e puxar o saco do patrão porque o time dele ganhou. É a velha história do conceito de populismo da sociologia paulista, na carona do Grupo de Itatiaia da década de 50, da incorporação tutelada das massas desorganizadas e inconscientes. Só falta o cara subir na marquise. Mas, em São Cristóvão, profilaticamente, isso está proibido pela Defesa Civil.


SRN

quinta-feira, 3 de abril de 2014

2 x 1, de Virada

Por Máximo


Agora decidiremos em casa. A entrada de Negueba, na visão exata e tranquila de Jaime, e o lançamento ao final pro Paulinho, livre, à entrada da área, bater livre no canto. 

A ideia de Nação, se sobrevive com toda força, sobrevive, de fato, na Nação Rubro-Negra. 

O gol do Paulinho explodiu o Rio.

SRN


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pianola Boilesen

Por Máximo



"Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski, é um documentário sobre o dinamarquês Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragaz e o mais ostensivo relações públicas no meio empresarial paulista no financiamento da Operação Bandeirantes, a Oban, em 1969, um dos centros mais terríficos da tortura na ditadura militar. Na sistematização da tortura, a Oban tinha um papel estratégico e Boilensen era uma espécie de missionário da Universal do Reino do Capeta. Convocava a paulicéia endinheirada pra ouvir Delfim Neto, o milagre econômico que pregava o crescimento do bolo pra só muito tempo depois, eventualmente, reparti-lo e passava a sacola pro dízimo necessário à obra purificadora da Oban. 

Boilesen gostava tanto da purificação que só podia vir da maceração da carne que chegara a importar um instrumento de aperfeiçoamento dos martírios conhecido no meio, conforme o documentário de Litewski, como "pianola Boilesen". Era um teclado que intensiva os choques elétricos aplicados no corpo, em geral, pendurado no pau-de-arara, este, de resto, técnica de tortura popular, de ontem, de hoje, sempre que pobreza e povo  foram caso da polícia nacional. Não à toa terminar o dinamarquês estourado no meio-fio.

Um bom tema não apenas de documentário, mas de monografia, seria uma pesquisa minuciosa, com fontes e referência rigorosas,  da ligação de muita gente boa, respeitável e temente a Deus com o financiamento da sistematização "científica" da tortura na ditadura.

SRN