terça-feira, 13 de junho de 2017

Exposição: Garatujas de um Rubro-Negro, no Memorial Getúlio Vargas

Graças à lembrança da grande atriz, Rita Grego, vou fazer uma exposição ali na Glória, no Memorial Getúlio Vargas. Já conhecia o espaço de seminários da UERJ. Uma maravilha agora estar ao lado de Vargas. Só faltava o Brizola (risos).
SRN



Garatujas de um Rubro-Negro

O título que se desdobrou veio com a igual rapidez com que a minha Companheira, Catia, definiu esta exposição:
“Não há uma ideia que a explique, que lhe dê unidade, um conceito; portanto, nada melhor do que usar o seu amor pelo Flamengo, pois, como você diz, a partir do Flamengo, é possível falar de tudo, da política à economia, passando pela arte, até futebol.”

De 16 de junho a 25 de junho de 2017, no Memorial Getúlio Vargas, na Glória


Antônio Máximo
Carioca, nascido na Tijuca e criado em Vila Isabel, ex-desenhista de arquitetura, ex-arte-finalista da extinta Bloch-Editores, ex-marceneiro, graduado em História pela UERJ, ilustrador, cartunista, chargista, caricaturista, com participações em salões de humor (Volta Redonda, Serquilho, entre outros) e publicações em revistas como Agitação, do CIEE, e Revista de História da Biblioteca nacional, entre outras.

terça-feira, 23 de maio de 2017

"A esquerda de que a direita gosta"

Alcançar uma República, em nossa história já bem recheada de interpretações, do "patrimonialismo" ao "sentido da colonização", do "homem cordial" ao "populismo", à "colaboração de classes", à "tutela militar" e "dependência associada", (bastam tantas que já tenham sido atualizadas, agora, neste "presidencialismo de coalizão"), talvez dependa do amadurecimento das vísceras expostas que vivemos. 

Em qualquer apostila está escrito: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficácia, princípios fundamentais a reger o Estado Republicano. 

Vale destacar a cozinha deste cardápio, preparada nos pratos servidos pela grande imprensa. De um lado o Globo, menos farisaico na defesa das "reformas", do outro o "Estado de São Paulo", tão hipócrita quanto a plutocracia que representa e que confunde atraso com conservadorismo e não hesita em jogar no ralo quaisquer escrúpulos na manutenção do vasco do Alvorada por considerá-lo o condestável das "reformas". 

A propósito, Temer é fruto do "presidencialismo de coalizão" articulado a partir da "Carta aos Brasileiros". E o que mais me surpreende é como se pode achar que o que caiu com a Dilma tenha sido, de fato, um governo de esquerda. Brizola, um nacional-popular, no limite da radicalidade do espírito republicano, tinha razão quando dizia que certo tipo de esquerda era tudo do que a direita gostava.

SRN


Vasco do Alvorada


Parece que os corifeus do sistema político chegaram a um acordo: Temer sai, mas não será preso. O esforço agora é viabilizar os meios. Uma vez sem foro privilegiado, como salvar o vice, que não é de São Cristóvão? 


Outra coisa: o que Renan, que participa desse acordo, quis dizer com garantir as eleições de 2018? 


Acaso estariam em risco? Qual a fonte do risco?



Só mais uma: briga de perito contratado não vale. O vice não nega a conversa. E o mais grave é a mesada de 500 mil por semana, recebida pelo preposto indicado pelo vasco do Alvorada, pra vender posições estratégicas no Cade. 


SRN

P.S. Caindo, o vasco do Alvorada é rebaixado do foro privilegiado. Seu advogado cogita entrar com um pedido de suspensão do inquérito na vara de São Cristóvão.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Entidade responde sobre “presidencialismo de coalizão” via whatsapp

Lendo sobre a Cepal, teoria do desenvolvimento, versões dos estudos sobre dependência, Vargas, Jango e me lembrando do Brizola aqui no Rio (seu primeiro governo incomparável, no segundo, já cansado, desinteressado, provavelmente já sem esperança). De repente, caiu um esquadro que mantenho num prego pendurado na parede. E já que me lembrava, lembrei-me também do que me disseram na última consulta de que qualquer entidade agora só por whatsapp.  Como integro um grupo, fiz a consulta sobre como se dará a administração de um renovado regime de colaboração via presidencialismo de coalizão. Não sei qual entidade respondeu. Apenas transcrevo o que o whatsapp psicografou:

“Uma ideia submetida aos Irmãos em Cristo que rejeitam satanás: acreditam que Lula, caso viabilize sua candidatura e eleito, possa terminar o mandato? Não se trata de uma candidatura desde já condenada e que não interessa nada a nossa vida de cristãos fodidos?                       

Eu me explico:                       

Eleito, terá de piorar o tipo de coalizão que engendrou pra se manter na presidência e que nos deu a lava-jato. Ainda assim cairá, pois hoje as condições são outras, muito piores, a radicalização do ambiente não permitira nem os termos nem os agentes da "carta aos brasileiros". Estão todos presos.                    

Se tentar ser radical, cai do mesmo modo.                       


Não acham que o regime de colaboração de classes precisa de um outro tipo de encaminhamento? Ou os Irmãos em Cristo acreditam no Apocalipse Revolucionário?”

SRN

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Há greve geral na pós-modernidade?


A reação no hemisfério norte se manifesta com xenofobia, ódio e uma certa solidariedade entre trabalhadores locais e capital, ao invés de buscar a crítica nas relações de produção. Aqui, a reação dispensa a solidariedade, defenestrando o presidencialismo de coalizão, atacando sem susceptibilidades o campo do trabalho. 

Ainda aqui, a imprensa/empresa manda seus repórteres pra rua com a orientação de criminalizar a greve geral, buscando exemplos de violência, piquetes e depoimentos de trabalhadores que querem trabalhar, mas não podem. A cereja do bolo vem pelos amestrados que ficam no estúdio: "é um direito constitucional o de ir e vir". Pois amestrados, afinal, são intelectuais. 

Onde a pós-modernidade, fragmentária, sem "narrativa vinculante"? Do neopopulismo de direita ao mecanismo ideológico, por excelência, a mídia, não são características típicas do conflito moderno radical?

SRN


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Guerrero não anda de kombi


Este desenho eu fiz faz algum tempo. Foi num empate contra o galo de despacho em que o Guerreiro também fez dois gols. Vale repetir, pois, ontem, metemos dois num time cuja torcida cabe numa kombi e que deve ter enfrentado problemas pra chegar à "arena" maracanã. Chovendo na Guanabara, a Kombi deve ter molhado o platinado ou passado em uma poça numa esquina e atropelado o despacho feito com frango mineiro - o que me fez lembrar-me do desenho que fiz algum tempo. Serve. Ao menos, um pouco de história: Fla x Flu é um Clássico Carioca. Os títulos cariocas dos dois últimos anos foram mais uma palhaçada pós-moderna, felizmente em diluição.


SRN


Graciliano Ramos assinaria o Globo?

Voltei, após muitos anos, a ser assinante do Globo. Evidente, os limites de imprensa livre estão nos seus interesses de empresa que precisa sobreviver como outra qualquer no regime capitalista. Mas, ainda assim, neste estreito espaço de defesa da ordem, de uma sociedade de classes, é possível fazer um jornalismo voltado para a busca da informação e, nesses tempos de internet, de apuração.. 

Sempre me lembro do JB, um jornal liberal, como não poderia deixar de ser, mas em cujo espaço era possível ver o contraditório. Prestes e Roberto Campos, por exemplo (ao passo que,no Globo, havia apenas Roberto Campos, provavelmente pela atuação decisiva do ministro do planejamento do general Castelo Branco, no acordo Globo/Time life). Lembro-me, especificamente, da cobertura da bomba do Riocentro, da farsa denunciada do inquérito de uma ditadura que buscava controlar a transição política. Conseguiu, de resto, mas as reportagens e colunas do JB atrapalharam bastante. No episódio, o Globo era uma espécie de porta-voz oficial. Adiante, após tentar ignorar as "Diretas Já" e constrangido a mudar pelas circunstâncias, derrotadas as diretas e, embora apoiando Tancredo Neves, o Globo saía com um editorial que já se tornou referência na historiografia, se não me engano em outubro de 1984, defendendo os "ideais da revolução de 64". Recentemente, o globo fez uma espécie de autocrítica, sem, entretanto, convencer ninguém, haja vista o apoio que deu a passeatas recentes com a presença de tipos notórios, entre os quais torturadores tirando fotos ao lado de crianças como vovôs inofensivos, com a manchete irônica (só pode ser ironia, não acredito que acreditassem no que escreveram) de que uma das tais passeatas paulistas era a aurora da liberdade no Brasil. 

O que me levou a retomar a assinatura foi ver a cobertura da Lava-jato. Fontes e investigação bem exploradas. Também aí o mecanismo ideológico dizendo ao que veio pela ênfase que dá, com especial apuro, em tudo que diga respeito ao Lulismo. Mas, a relação da empresa imprensa com temer não é a mesma da que a leva a poupar Fernando Henrique. E, como é o vice que não é o de São Cristóvão que está alugado pra não atrapalhar o recrudescimento neoliberal de ataques aos direitos sociais, rumo, sem tréguas, a virarem puras e simples mercadorias sem disfarces. é possível ler no jornal aquilo que Graciliano Ramos - um humorista inigualável, porém, pouco reconhecido - escreveu logo na abertura de Memórias do Cárcere:



"Restar-me-ia alegar que o DIP, a polícia, enfim, os hábitos de um decênio de arrocho, me impediram o trabalho. Isto, porém, seria injustiça. Nunca tivemos censura prévia em obra de arte. Efetivamente se queimaram alguns livros, mas foram raríssimos esses autos-de-fé. Em geral a reação se limitou a suprimir ataques diretos, palavras de ordem, tiradas demagógicas, e disto escasso prejuízo veio à produção literária. Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade - talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça.Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer. Não será impossível acharmos nas livrarias libelos terríveis contra a república novíssima, às vezes com louvores dos sustentáculos dela, indulgentes ou cegos. Não caluniemos o nosso pequenino fascismo tupinambá; se o fizermos, perderemos qualquer vestígio de autoridade e, quando formos verazes, ninguém nos dará crédito. De fato ele não nos impediu escrever. Apenas nos suprimiu o desejo de entregar-nos a esse exercício."

SRN

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PUM: Partido Único do Meirelles


Meirelles vive dizendo que as medidas do governo não são uma questão de opinião, mas de necessidade. Meirelles, evidentemente, não é comunista. Não pode ser acusado de adepto do "partido único". Embora uma espécie de Messias do "presidencialismo de coalizão", tem, por isso mesmo, a obrigação de fazer política. No caso do novo regime fiscal do estados, por exemplo. Por que o Rio e o Rio Grande do Sul não podem buscar uma alternativa baseada nas compensações da "Lei Kandir", de setembro de 1996, que não vieram até hoje por falta de lei complementar? O petróleo do Rio e a carne gaúcha, desde então, perderam arrecadação em virtude da desoneração do ICMS sobre a exportação de produtos e serviços, sem receber nenhuma compensação como manda a lei. Mas, isso atrapalha bons negócios, como a da Cedae, não é Ministro?

SRN


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Educação acaba de ser roubada como o título de 87

Não me surpreende, aqui na Guanabara, que tricoletes e os de segunda fiquem ao lado do careca do temer no STF. Fazem parte do mesmo Tietê. Além disso, só quem despreza a história (o que também surpreende entre tricoletes e os de segunda, alguns deles formados comigo em História na UERJ), pode questionar o TÍTULO LEGÍTIMO DO FLAMENGO EM 87. 


Vida que segue, como dizia o Grande Saldanha, e é melhor discutir o que importa e não molecagem, ainda que vinda da toga do careca do temer. Seguinte:

Acabo de ler, no portal da Câmara, o substitutivo do Pedro Paulo, aprovado ontem. Estamos todos estropiados como professores não apenas de história. Entre as contrapartidas do novo regime fiscal a ser celebrado entre o estado que se disponha e a União, há uma proibição que arrebenta com a educação no nosso estado. Pedro Paulo manteve a proibição de novos concursos, desde que não seja pra repor vaga. Assim, aparentemente, estariam garantidos os concursos de provimento de professores destinados a atender a demanda mínima do estado, longe de ser cumprida. A malandragem, entretanto, também faz parte das "proibições de contrapartida" no que diz respeito aos convênios com organizações sociais da sociedade civil (OSC). A princípio, todos os convênios não seriam renovados, mas o tal do Pedro Paulo "flexibilizou" a "proibição" para os casos de "serviços essenciais". É o tal negócio: basta combinar essa "flexibilidade" pras OSCs atuarem em serviços essenciais como Educação à lei das terceirizações que permite a contratação de terceiros para atividades fins, que as vagas de professores nas escolas do estado pra atender a demanda mínima, ainda permitida pelo novo regime fiscal, poderão tranquila e legalmente ser preenchidas por professores vinculados às OSC, sem concurso, sem critério. Calculem se considerarmos ainda os tais "itinerários formativos". Como o ensino médio é atribuição do estado, e a "reforma" do ensino médio, na história do boitatá de que os adolescentes agora escolhem a própria "vocação", permite que as escolas ofereçam apenas os "itinerários" que puderem (acabando com a falácia da livre escolha "vocacional"), certamente haverá um excesso de "opções" para os cursos profissionalizantes que não exigem professores com licenciatura, mas apenas 'profissionais de reputação reconhecida". Será a festa dos cabos eleitorais da pior politicalha que o nosso estado conhece há tempos.

SRN?


sexta-feira, 7 de abril de 2017

wikilegis

O portal da Câmara Federal disponibilizou a ferramenta “wikilegis”. Podemos acompanhar os projetos como se fôssemos membros das comissões, com as redações das emendas substitutivas disponíveis pra comentários e até sugestão de redação distinta.Uma ferramenta muito melhor do que facebook ou twiter, pois permite a participação num nível de complexidade na discussão de temas de interesse público que a vulgaridade das redes sociais não permite.
Evidente que desconfio de que o material participativo produzido pela ferramenta não será absorvido pelos parlamentares. Seja como for, serve de estatística de referência.
No tema Reforma Trabalhista, por exemplo, uma das emendas me chamou a atenção pela força adquirida pelo “acordado” sobre o “legislado” na precarização do trabalho. Se houver “vantagens’ do acordo entre patrões e empregados, basta simplesmente “explicitar’ tais vantagens que imediatamente deixa de valer a proteção constitucional  que regula o objeto da “vantagem’ eventualmente obtida.




"§ 3º Na hipótese de flexibilização de norma legal relativa a salário e jornada de trabalho, observado o disposto nos incisos VI, XIII e XIV do caput do art. 7º da Constituição, a convenção ou o acordo coletivo de trabalho firmado deverá explicitar a vantagem compensatória concedida em relação a cada cláusula redutora de direito legalmente assegurado."
Calculem a malandragem.
A prova da validade de um clássico, a do “18 Brumário” de que apenas a luta parlamentar não é suficiente, haja vista a Cedae.
SRN

quinta-feira, 23 de março de 2017

Vinícius Jr.


Peguei um desenho meu de quando era moleque em homenagem ao Vinícius Jr. Canhoto, também nas peladas descalço de rua (com alguma habilidade), a bola, pra mim, era como o desenho. 

Vinícius Jr. se diverte jogando bola. Parece peladeiro. Tomara que amadureça desse jeito, sem nenhum "professor" pra atrapalhar-lhe a vida.

SRN


quinta-feira, 16 de março de 2017

Perdemos, mas jogamos muito bem


Gosto do Zé Ricardo, desde a "copinha". Inteligência demonstrada após o jogo contra os tricoletes. Ali, a zaga alta, jogando no meio-campo, tendo de correr atrás da ação rápida dos atacantes. Corrigiu e jogou plantada contra o San Lorenzo, expondo menos o inseguro Muralha. Ontem, surpreendeu, vindo num 4-5-1, o time estável com a entrada do Márcio Araújo, contundente no ataque, pela direita, pela esquerda, com o Guerreiro (mal, tecnicamente), taticamente se deslocando, abrindo espaço pro Arão e pro Everton. Perdemos.Paciência. E aí a enxurrada dos "produtivistas", os mesmos que glorificam 94 e satanizam 82. Prefiro a Holanda, revolucionária, do Rinus Michel, e o Brasil, de 82, do Telê, à aridez de tia de catecismo do Parreira, Zagallo e Scolari. Felizmente, tivemos o 7 x 1. E o Bandeira de mello é inteligente o suficiente pra saber que o que temos hoje nos dará muitas alegrias.


SRN


quarta-feira, 15 de março de 2017

Jorge Ben e a tristeza de Cristóvão no Viva Rio

Ontem eu vi o Cristóvão de perto. A filha da Cátia trabalhou no evento de lançamento no Viva Rio do show da Nívea deste ano: Skank e uma tal de Ceo homenageando o Jorge Ben. O cara, velhaço, ainda manda bem. Eu e a Cátia fomos. Só tinha "celebridade". O Cristóvão na minha frente, um cara tranquilo, com uma cara de sofrido. Calculem se, ao invés de ontem, fosse segunda. 

De madrugada, quando cheguei, o VT do show de Márcio Araújo contra a Portuguesa. MA é um excelente Volante. Qual a diferença dele pro Paulinho e, mesmo, da cria da Casa, Renato Augusto? A diferença, aliás, é que é muito melhor. Dinâmico, atua bem na contenção, dá volume de jogo, a segunda bola sempre é sua de tão bem colocado, além de incisivo na infiltração. Não entendo a implicância da Torcida. Rômulo é banco já!

SRN



sexta-feira, 3 de março de 2017

SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS para o Verbo feito carne

A que podemos ter sempre acesso através da oração que o Senhor nos ensinou:

Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior;

Andrade, Adílio e ZICO;

tita, Nunes e Lico.

SRN



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Futebol e escola de samba têm de ser ao vivo


Televisão só atrapalha. Ontem, na altura em que estávamos, não vimos o acidente com o carro da Tijuca que, ainda assim (o que é uma estupidez desse ambiente competitivo que é o samba) desfilou com os integrantes que não se feriram sentados, ao lado de bombeiros. Os carros alegóricos, aliás, são muito altos. A monumentalidade já estaria garantida se a escala fosse menor. Esculturas muito bem acabadas, em praticamente todas as escolas. Apenas a Vila, no domingo, me pareceu com carros mal acabados. Seja como for, uma técnica que me deu a impressão de um padrão estético, que, a partir de um determinado momento, anestesia o olho. Daí a surpresa que tive com a Mangueira. Sem dispensar o acabamento, todas as alegorias pareciam trazer a marca pessoal de um trabalho de cartum. O enredo, "Poesia e Fé", se cito certo, interpretou plasticamente ícones da fé, como o "Zé Pelintra", combinando desenhos de humor. Mas, o que mais me impressionou, até agora na retina, foi uma espécie de escultura, feita em volutas, em rotação pela avenida, de um lado o Jesus, cristão, branco, do outro, negro, Oxalá, segurando uma bola lisa, o universo, como se um produzisse o outro na medida em que o escultura rodava e se deslocava. Pena o problema com um carro, que abriu um buraco entre as alas, comprometendo, por momentos, a harmonia. Ao final, a festa popular, com o povo, pelo sambódromo, atrás da Mangueira, como se fosse um bloco. Pra mim, é bicampeonato.

SRN


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Turbante


Leio uma discussão sobre "apropriação cultural". Parece que o problema está no uso de um turbante. Fica difícil discutir apropriação cultural sem a crítica à indústria cultural, que é quem põe em circulação as referências de adesão de circunstância. E o controle da indústria cultural nunca está nas mãos dos produtores - nem dos consumidores - da estética que vira referência. 

Quem lucra com a moda?

SRN


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Vale tudo pra controlar a venda da água

O Liberalismo, conforme Immanuel Wallerstein, "é um termo confuso e que confunde", desgastado - desgaste, aliás, muito conveniente, pois esconde os defeitos. A ampla rejeição à "democracia", manifesta em qualquer enquete e objeto da demagogia de proto-fascistas como bolsonaro, é fruto justamente da confusão com o "regime liberal-democrático". Ao liberalismo interessa sempre reduzir o problema à política, ajuda a esconder sua própria natureza: as relações sociais do poder do capital. Quando os direitos civis e as liberdades públicas começam a atrapalhar, os liberais não hesitam em sacrificá-los, aceitando apenas a liberdade que não os ameace. E, em tempos de reorganizar a acumulação, quanto não vale em tiro, porrada e sangue, como o que acabou de ocorrer na Cidade, pra controlar um ativo como a Cedae? 

Vale tudo pra controlar a venda da água.




"Martí: El ojo del canario"


http://operamundi.uol.com.br/…/%C2%93marti-el-ojo…/09022017/

SRN




"As veias abertas da América Latina" estão todas sendo costuradas na Gávea

Ontem, foi mais um exemplo: 2 x 0.

SRN



E a Cedae, meu irmão?


E a Cedae, meu irmão, segue no calcanhar de aquiles (do pezão, que vai atrás do tapetão, como um bom tricolor pra roubar a terceira divisão) da Alerj. E a sociedade de classes extrapola a política do parlamento,sempre um instrumento da ordem e que nunca resolve a contradição fundamental. E, em tempos de regressão (do também tricolor Armínio Fraga, pra quem o contrato social não cabe mais no PIB), o parlamento só decidirá em favor de demandas populares se suficientemente pressionado pelas ruas.


SRN


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma eletiva da UERJ e o Espírito Santo

Tive uma eletiva na UERJ, do professor Flaviano, articulando história e cinema. Mas, a surpresa e a qualidade estavam em que Flaviano extraia crítica historiográfica até do Cobra, do Stallone, fugindo ao estereótipo de só analisar "filmes de arte' ou "autorais". Uma eletiva muito útil, sobretudo pela relação que me vem pelo que ocorre no Espírito Santo com um filme que vi recentemente, um "blockbuster' desses, se não me engano, 'Uma noite de crime". No filme, o governo estadunidense liberava uma noite inteira, chamada de "expurgo", a fim de aliviar a criminalidade, pra população fazer o que bem entendesse, matasse quem quisesse, gangues contra gangues, a barbárie, sem polícia, sem contenção. Excelente eletiva. 


UERJ na veia!


SRN


Acabei de deixar no portal da Alerj

Esta casa precisa estar à altura dos desafios, não sacrificando às circunstâncias a estrutura de desenvolvimento do nosso estado. Privatizar a Cedae, como parte desta espécie de "pec fluminense", sob a forma desse novo regime fiscal de longa duração, é entregar não apenas o patrimônio saudável construído pelo povo brasileiro, mas também esconder a negociata atrás do sofisma do acerto de contas do estado. E o que é pior: usando a situação de calamidade do servidor público. Basta a própria tradição liberal, a ela recorrer contra o que esta casa começará na próxima quinta. Basta lembrar de Locke que justificava - mais do que isso - recomendava a revolta civil contra um mau governo que não respeita o "contrato de consentimento" que o constituiu. As ruas têm de impedir o que esta casa cometerá a partir da próxima quinta. 

SRN
Antônio Máximo, de Vila Isabel, terra de Noel e Nássara e adotada por afeto por Martinho




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Cedae e os Beatles da mortadela


Encomenda entregue e, na volta, comprei a mortadela e me permiti matar a saudade da infância e comprei também um pacote de "seven boys", da Panco. O pacote da minha infância mudou pouca coisa, apenas atualizado no photoshop, mas os pãezinhos, fragmentados, pequenos, são uma metáfora do fetiche do regime da mercadoria: o artista proletário em busca de uns trocados, enquanto na próxima quinta a Cedae será vendida na Pec fluminense que espirra a água privatizada desse presidencialismo de coalizão. 

Vida que segue, como dizia o grande Saldanha...

SRN


“Dois Conceitos de Liberdade”, de Isaiah Berlin


Há tempos, li numa postagem do professor Alvaro Bianchi, da Unicamp, referência ao texto “Dois Conceitos de Liberdade”, de Isaiah Berlin. Fui ler. Nele, a crise do legado iluminista é logo exposta no parágrafo inicial. A razão e o progresso não estão mais dados, e o que se discute não são mais “problemas técnicos”, próprios à máquina ou a engenheiros, nem para o aperfeiçoamento da ordem burguesa nem para a felicidade emancipatória da revolução do proletariado. Entretanto, embora afins no idealismo da busca da “harmonia social perfeita’, na demonstração da crise que nos expõe, há, para Berlin, distinções no conteúdo da liberdade que separam liberais e socialistas. E aí, a excelência de Berlin, ao contrário da fuleira “carroça” pós-moderna do “fim das grandes narrativas” (como se, ao dizer isto, também não o fosse) já queimando óleo. Tanto tempo, e o texto de Berlin sobrevive, pois trata-se de uma reflexão sobre os sentidos que considera fundamentais reter acerca da liberdade, cerne da política: “a questão da obediência e da coerção”:

 “O que é a liberdade para aqueles que não podem dela fazer uso? Sem as condições adequadas para o uso da liberdade, qual é o valor da liberdade?” 

O cara, liberal, merece ser lido, nestes tempos em que o Armínio Fraga já estabeleceu que o contrato social não cabe mais na Constituição. Melhor que muito panfleto.

SRN


Madre Tereza de Sorocaba


É o tal negócio: um olho no padre, outro na missa. E se temos uma crise de hegemonia e a pauta conservadora domina o espaço público, dá pra concluir que a solução será na linha do "sobrinho do tio" ou a vida é criativa pra outras soluções? 

A Lava-Jato, por exemplo, ainda pra ficar no "18 Brumário" do Alemão, não seria o que há de melhor pra testar a capacidade das instituições liberais de evitar o farisaísmo de negarem a si mesmas? 

SRN


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tem melhor negócio do que controlar a venda da água?


Bipolar


Meu amigo, Rubro-Negro, professor de história formado comigo na UERJ, Alexandro Amorin, parece sucumbir à desesperança da reforma do ensino médio que pretende acabar com a obrigatoriedade do ensino de história, a ser diluído no reducionismo das “ciências humanas aplicadas”. A princípio – afirma – sociologia e educação física saíram, houve reação, a sociologia voltou e história saiu. É o tal negócio, típico do regime, jogando um pobre contra o outro pela vaga de um salário pra pagar a luz, o gás e a água, que será privatizada. 



Meu amigo pensa em fazer outra coisa. Acho justo. Talvez, a crítica que a história enseja seja mesmo desnecessária. Pra que pensar? Pra que ir além da instrumentalização fuleira de “coxinhas & petralhas”?


Afinal, no mínimo, é ser um bom filho da puta recusar transformar em luta política interesseira a morte da Dona Mariza.

SRN


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Cedae é o antigo campo do América em Vila Isabel

Se é clássico, continua válido. “18 Brumário’, texto base de Marx na análise do golpe do sobrinho do Napoleão na França de 1851. E o que isso tem a ver com o desenho do Orlando “Lelé”, ex-lateral do América dos anos 70? 

É que sempre me lembro do que fizeram com o ‘Mequinha”, quando ocorre a defesa da ordem, com tiro e porrada. O “presidencialismo de coalizão”, que nos dá, em desdobramento sobre a federação, o ataque aos direitos civis, como o que se viu ontem aqui no Rio, é um exemplo de validade da análise de Marx de que a democracia liberal não hesita em violar-se se ameaçados os interesses do regime do capital. Atiraria até em Locke, que defendia a revolta civil contra um governo desse tipo. 

E o Orlando “Lelé”? 

Serve pra ilustrar que venderam o campo do América aqui perto, na Teodoro da Silva, rua onde morou e morreu Noel, pra levantar um shopping sob o argumento de que o dinheiro seria usado pra pagar as dívidas do clube e lançar o “América dos Anos 2000”. O “Mequinha”, segundo time de todo carioca, acabou. 

A Cedae é o campo do América que tem de ser vendido ainda que com porrada, tiro e sangue do servidor público.


SRN?


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

3 x 0


Dois "volantes" (antes era "cabeça de área") que sabem sair pro jogo. Falta desenhar o Rômulo, que acabou de chegar.Segunda vitória seguida, com um placar elástico, 3 x 0. 

Uma sequência capaz de criar casca e permitir a Zé Ricardo trabalhar tranquilo.

SRN


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Steinberg Rubro-Negro

Meu amigo, Rubro-Negro, professor de História excelente, formado junto na UERJ, Alexandro Amorin, no nosso grupo do whatsapp, fez uma brincadeira com a final deste ano do mundial de clubes entre Barcelona e Flamengo. Na veia. Como sempre. É o tal negócio: um grupo com historiadores que sabem a importância da memória. E no imaginário da Grande Arte da Bola quais os times que sempre circulam pelas cabeças? O Santos de Pelé, a Holanda de Cruyff, o Barcelona idem (pois o que vemos hoje, triângulos se deslocando, oscilando tocando a bola, primeiro com o Guardiola, agora com o Luis Henrique, tem a fonte no "futebol total" da Holanda de Cruyff,do Monstro Rinus Michel) e o Flamengo de 81, a quem o Tite acaba de apontar como sua referência técnica e tática. De fato: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade (a grande injustiça de Telê, jogaria tranquilamente no lugar de cerezo), Adílio (outra injustiça, caberia tranquilamente entre os 22 de 82) e Zico; tita (em caixa baixa, pois depois se desmanchou de amores pelo vice que não é o Temer), Nunes e Lico. Portanto, meus caros, títulos todos, em maior ou menor medida, têm. Mas, poucos entrarão, como estes dois TIMES que o meu amigo Alexandro Amorin apontou, pro imaginário da história do futebol. 
Saudações Rubro-Negras